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A enfermagem que transforma a saúde mental também pelas redes sociais

A enfermagem que transforma a saúde mental também pelas redes sociais

Há quem cuide do sofrimento psíquico dentro dos hospitais. E há quem leve esse cuidado para milhões de pessoas por meio da internet

“Bom dia! Como você passou a noite?” A pergunta parece simples, mas faz parte de um tratamento que vai muito além dos medicamentos. Todos os dias, o enfermeiro Ronald Silveira inicia sua rotina lembrando aos pacientes que eles têm nome, história e dignidade. Horas depois, esse mesmo profissional liga a câmera do celular e leva essa realidade para centenas de milhares de pessoas nas redes sociais, ajudando a derrubar preconceitos que ainda cercam a saúde mental no Brasil. Há quem cuide do sofrimento psíquico dentro dos hospitais. E há quem leve esse cuidado para milhões de pessoas por meio da internet. Há oito anos dedicado exclusivamente à saúde mental, o enfermeiro maranhense Ronald Silveira encontrou nas redes sociais uma ferramenta para ampliar o alcance da Enfermagem e combater um dos maiores desafios da área: o preconceito. Com vídeos que mostram, de forma ética, humanizada e educativa, a rotina do cuidado em psiquiatria, ele conquistou quase 400 mil seguidores e milhões de visualizações, ajudando a desconstruir estigmas históricos sobre os transtornos mentais. “O objetivo sempre foi mostrar que a psiquiatria de hoje é muito diferente daquela imagem antiga dos manicômios. É desmistificar a saúde mental”, resume. Especialista em Saúde Mental e Psiquiatria, Ronald conta que a escolha pela área aconteceu ainda durante a graduação, quando passou por hospitais psiquiátricos, Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e residências terapêuticas. “Durante os estágios, percebi que era ali que eu queria estar. Enquanto muitos colegas tinham receio da psiquiatria, eu enxergava uma área que precisava de profissionais preparados e comprometidos com o cuidado.” INSTAGRAM @ronaldsilveira Foi dessa experiência que nasceu o projeto nas redes sociais. Inicialmente voltado para estudantes de Enfermagem, o perfil passou a mostrar, sempre com autorização das famílias e preservando a identidade dos pacientes, como o acolhimento, a escuta e a humanização fazem parte do tratamento em saúde mental. Mais do que produzir conteúdo, Ronald passou a aproximar a população da realidade da assistência psiquiátrica e a mostrar que a Enfermagem é protagonista no cuidado às pessoas em sofrimento psíquico. Quando a saúde mental pede cuidado A relevância desse trabalho acompanha um cenário que preocupa. A ansiedade e a depressão continuam liderando os índices de adoecimento no país. Somente no primeiro trimestre de 2026, mais de 105 mil trabalhadores foram afastados por transtornos mentais, segundo dados do INSS. Além disso, pesquisas apontam que 67% dos brasileiros pretendem investir mais em seu bem-estar mental. Enquanto o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais em 2025, o Maranhão contabilizou mais de 3 mil casos, de acordo com o Ministério da Previdência Social. O estado conta atualmente com cerca de 88 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), distribuídos pelos municípios e integrados à Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). De acordo com o diretor do Coren-MA e coordenador da Câmara Técnica Regional de Saúde Mental do Coren-MA, o enfermeiro Tardelly Sipaúba, o profissional da enfermagem desempenha um papel fundamental na promoção da saúde mental. “O profissional atua na identificação precoce do sofrimento psíquico, no acolhimento na educação e saúde e no acompanhamento contínuo dos pacientes”, disse Sipaúba. Segundo ele, dessa forma promove o cuidado humanizado fortalecendo a rede de apoio e encaminhando os casos que necessitam de atendimento especializado. Além de realizar a escuta qualificada e o atendimento humanizado, o enfermeiro atua na promoção da saúde mental, na prevenção de transtornos, na administração de medicamentos, na elaboração do plano de cuidados e no monitoramento contínuo do paciente. Presente em serviços como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), hospitais, Unidades Básicas de Saúde e demais pontos da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), esse profissional também desenvolve ações de educação em saúde, combate o estigma relacionado aos transtornos mentais e contribui para a reinserção social, promovendo uma assistência integral e uma melhor qualidade de vida aos pacientes. Atuação do Sistema Cofen/Corens O Sistema Conselho Federal de Enfermagem e Conselhos Regionais de Enfermagem (Cofen/Corens) aprovou a resolução 678/2021 que aprova a atuação da Equipe de Enfermagem em Saúde Mental e em Enfermagem Psiquiátrica. Sendo que o Enfermeiro deverá, preferencialmente, ter pós-graduação em Saúde Mental, Enfermagem Psiquiátrica ou Atenção Psicossocial. Já o técnico de enfermagem deverá, preferencialmente, ter especialização em saúde mental. Outra ação foi a criação da Câmara Técnica de Enfermagem em Saúde Mental do Cofen, em janeiro de 2026. De acordo com a conselheira federal, a enfermeira Kelly Inaiane, o Cofen tem fortalecido esse debate por meio de campanhas de conscientização, incentivo à valorização profissional e ações voltadas ao bem-estar da categoria. “A orientação é que os profissionais reconheçam seus próprios limites, procurem apoio quando necessário, não tenham receio de buscar acompanhamento psicológico e fortaleçam redes de apoio entre colegas. Cuidar da própria saúde mental não é sinal de fraqueza, mas uma atitude de responsabilidade consigo mesmo e com quem recebe seus cuidados”, destacou. A escuta que transforma vidas Em uma época em que a saúde mental ocupa espaço crescente no debate público, Ronald Silveira mostra que o cuidado não acontece apenas entre as paredes de um CAPS ou de um hospital psiquiátrico. Ele também pode começar na tela de um celular, quando um vídeo rompe preconceitos, informa a população e aproxima pessoas do tratamento. Para o enfermeiro, desmistificar a saúde mental é também uma forma de cuidar. “A escuta, o respeito e o vínculo fazem parte do tratamento. Quando o paciente se sente acolhido, ele confia, participa do processo terapêutico e consegue evoluir. Desmistificar a saúde mental também é cuidar das pessoas.” Quer receber as notícias da sua cidade, do Maranhão, Brasil e Mundo na palma da sua mão? Clique AQUI para acessar o Grupo de Notícias do O Imparcial e fique por dentro de tudo! Siga nossas redes, comente e compartilhe nossos conteúdos:

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