A impossibilidade do pacto climatico

Na sua intervenção de balanço do ano político, realizada esta semana, o presidente Sánchez apelou mais uma vez a um grande acordo de Estado sobre o clima. Depois de atribuir a este fenómeno grande parte das calamidades ocorridas em Espanha nos últimos anos, desde inundações a ondas de calor e incêndios, o presidente insiste em chegar a acordos com as forças da oposição, muito provavelmente para tentar dividi-las, e fazer com que as suas contradições sobre este tema surgirem. Deixando de lado os efeitos que as alterações climáticas podem ter sobre a virulência dos incêndios -entre os quais se destaca o aumento da massa florestal, devido precisamente ao aumento do CO2 na atmosfera que contribui para a sua alimentação -, a verdade é que um apelo a tal pacto não faz muito sentido. As alterações climáticas são um fenómeno com múltiplas causas, entre as quais a ação humana, mas trata-se de um fenómeno global, pelo menos é assim que o definem os cientistas envolvidos. Por mais que o senhor Sánchez e o senhor Feijoo se reúnam e elaborem pactos ambiciosos, receio que o clima - que ainda não foi convocado por nenhuma das partes - não se sinta apelado e continue a exercer os seus desastrosos efeitos sobre o Reino de Espanha. O clima não parece compreender fronteiras, nem sabe da polarização política espanhola.A única cousa que poderiam acordar em relação à atmosfera são reduções nas emissões de gases com efeito de estufa no território espanhol, mas se estas medidas não forem seguidas no resto do mundo, de pouco valerão. Mesmo que a Espanha ficasse com emissões nulas, bastaria apenas o crescimento económico da China ou da Índia para contrariar esta redução nas emissões. De facto, a Espanha e a União Europeia reduziram as suas emissões nos últimos anos, mas as emissões totais a nível mundial não deixaram de crescer, apesar de todos os acordos assinados, batendo recordes todos os anos, exceto durante a pandemia.
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