Após dez anos, médico é condenado por mutirão que deixou 21 pessoas cegas

Após 10 anos, médico é condenado por mutirão que deixou 21 pessoas cegas, em São Paulo
Resumo A Justiça de São Paulo condenou um médico a 40 anos de reclusão, em regime inicial fechado, por lesão corporal após 21 pacientes perderem a visão em cirurgias de catarata realizadas em um mutirão em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. O que aconteceu A sentença foi proferida pela 3a Vara Criminal de São Bernardo do Campo. O réu era responsável pelo instituto que realizou a ação. Ainda cabe recurso da decisão. Segundo o processo, o médico realizou cirurgias de catarata durante um mutirão e falhas nos protocolos de esterilização dos instrumentos provocaram uma infecção bacteriana nos pacientes. A perícia concluiu que todas as vítimas foram contaminadas pela mesma bactéria. Na decisão, o juiz André Luiz Rodrigo do Prado Norcia afirmou que o médico assumiu o risco de provocar as lesões ao manter os procedimentos sem observar as normas sanitárias. Para o magistrado, o elevado número de vítimas reforça a caracterização do dolo eventual. A sentença também cita depoimentos colhidos na investigação que apontam que apenas duas caixas de instrumentos cirúrgicos eram utilizadas para atender diversos pacientes em sequência. Conforme os autos, cada cirurgia deveria contar com material próprio e devidamente esterilizado. O magistrado destacou ainda que, após a substituição completa dos instrumentos utilizados nos procedimentos, a sequência de infecções foi interrompida, o que reforçou o nexo entre a forma como as cirurgias eram realizadas e os danos causados aos pacientes. Além disso, o próprio médico informou, durante a investigação, que o avental não era trocado entre uma cirurgia e outra. Para a Justiça, as provas demonstram o descumprimento de protocolos básicos de segurança, o que levou à condenação. O UOL busca o posicionamento da defesa do médico. O texto será atualizado caso haja retorno. Relembre o caso As cirurgias foram realizadas em janeiro de 2016 durante um mutirão de catarata no Hospital de Clínicas do Alvarenga, em São Bernardo do Campo. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, 27 pessoas passaram pelos procedimentos. Destas, 21 desenvolveram infecção causada por uma bactéria e perderam a visão, de forma parcial ou permanente. A investigação administrativa apontou falhas na esterilização dos instrumentos utilizados nas cirurgias. Após a troca dos materiais, novos casos de infecção deixaram de ser registrados. Uma das vítimas que perdeu a visão, o aposentado Pelegrino Riatto, morreu cerca de 20 dias após o mutirão. A decisão sobre a condenação publicada hoje, porém, refere-se apenas aos crimes de lesão corporal. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.
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