China nega excesso de capacidade industrial em resposta a parceiros

A China rejeitou hoje as acusações de excesso de capacidade industrial, alegando que alguns parceiros comerciais politizam a questão para justificar restrições contra produtos chineses, numa altura de crescentes tensões com os Estados Unidos e a União Europeia.
Num documento divulgado hoje, intitulado "Posição da China sobre a chamada questão do 'excesso de capacidade'", Pequim defende que alguns países e economias "politizaram" as questões comerciais por receio de perder competitividade e utilizam esse argumento como pretexto para intensificar medidas restritivas contra a China. O texto sustenta que a distribuição global da capacidade industrial resulta da divisão internacional do trabalho e da evolução histórica da globalização, recordando que o centro da produção transformadora mundial deslocou-se, ao longo do tempo, do Reino Unido e dos Estados Unidos para a Europa, Japão, Ásia Oriental e, posteriormente, para a China. Segundo o Ministério do Comércio chinês, a China tornou-se a "fábrica do mundo" graças à sua integração na economia global e ao papel desempenhado na rede internacional de produção. Pequim argumenta ainda que o chamado "excesso de capacidade" é um fenómeno dinâmico próprio das economias de mercado e que não existe uma definição comum, nem na Organização Mundial do Comércio (OMC) nem entre as principais organizações internacionais. O documento rejeita igualmente a ideia de que subsídios industriais, excedentes comerciais, desequilíbrios económicos ou concorrência de mercado constituam, por si só, prova de excesso de capacidade. A China acusa ainda os Estados Unidos e a União Europeia de aplicarem "dois pesos e duas medidas" através de programas de apoio público, exigências de conteúdo local e restrições ao investimento estrangeiro. Pequim assegura que cumpre as regras da OMC e que os seus subsídios são "transparentes e não discriminatórios", atribuindo a competitividade da sua indústria à inovação, à dimensão do mercado interno, à eficiência das cadeias de abastecimento e ao investimento empresarial. O documento acrescenta que a China "nunca procurou deliberadamente um excedente comercial" e sublinha que o país é simultaneamente um grande exportador, um importante mercado de consumo e um dos maiores importadores mundiais. Pequim rejeita também a ideia de um "choque da China 2.0", defendendo que o desenvolvimento dos seus setores industriais modernos representa antes uma "oportunidade China 2.0" para impulsionar a inovação mundial, a transição energética, o bem-estar dos consumidores e a industrialização dos países em desenvolvimento. A divulgação do documento ocorre numa altura em que a capacidade industrial chinesa se tornou um dos principais focos de atrito com vários parceiros comerciais, que acusam Pequim de inundar os mercados internacionais com produtos de baixo custo apoiados por subsídios estatais e por uma procura interna insuficiente. A União Europeia considera, por exemplo, "insustentável" uma relação económica marcada por um elevado défice comercial com a China e tem intensificado as críticas ao que classifica como excesso de capacidade chinesa em setores como os veículos elétricos e a energia solar. Leia Também: China desenvolve alternativa nacional à maquinaria para fabricar chips
This is a summary. Read the full article at the original source.
Read full article at noticiasaominuto
