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Cuba alerta Conselho de Direitos Humanos para impacto de bloqueio dos EUA

Cuba alerta Conselho de Direitos Humanos para impacto de bloqueio dos EUA

O Presidente de Cuba, Miguel Díaz‐Canel, denunciou esta quarta‐feira os "danos extraordinários" provocados pelo bloqueio imposto pelos Estados Unidos, durante um encontro com um representante do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas (CDH).

Díaz‐Canel afirmou ao especialista independente do CDH, George Katrougalos, que o cerco petrolífero aplicado por Washington "equivale a um bloqueio naval" e que as sanções secundárias dirigidas a entidades estrangeiras "afetam o gozo de direitos humanos essenciais do povo cubano, entre eles o direito à saúde, à alimentação e ao desenvolvimento", segundo meios oficiais cubanos. O chefe de Estado acrescentou que "as crescentes ações unilaterais e o enfraquecimento dos mecanismos multilaterais representam uma ameaça para a paz e a estabilidade internacionais". Na conversa com Katrougalos, em visita académica à ilha, Díaz‐Canel reafirmou "o compromisso de Cuba com a promoção e a proteção dos direitos humanos". Diversas organizações não-governamentais têm denunciado repetidamente que Havana viola os direitos humanos e mantém mais de 1.200 presos por motivos políticos. Cuba enfrenta uma grave crise energética desde meados de 2024, agravada desde janeiro pelo impacto do bloqueio petrolífero dos Estados Unidos, ao qual se somou em maio uma série de sanções reforçadas contra setores vitais da economia e empresas que mantêm negócios com o Governo cubano, nomeadamente nas áreas da energia, defesa, finanças e mineração. O Departamento de Estado norte-americano divulgou esta semana um relatório em que acusa a ilha de albergar "um número crescente de instalações militares, de serviços secretos e terroristas estrangeiros", um dos argumentos invocados pelo Governo norte-americano para fundamentar o decreto-lei de 29 de janeiro, que declarava Cuba uma "ameaça invulgar e extraordinária" e instituía o bloqueio petrolífero. As autoridades cubanas têm negado repetidamente e em diversos contextos a presença de bases militares, especialmente chinesas, no seu território, qualificando as acusações de Washington como "falsas e infundadas", denunciando igualmente "pretextos falaciosos" de Washington para tentar justificar uma possível intervenção militar. Trump já afirmou por diversas vezes que após resolvido o conflito com o Irão iria "tratar de Cuba", admitindo o desejo de "tomar" a ilha caribenha. Apesar da tensão diplomática entre os dois países, Cuba recebeu na quarta-feira o primeiro carregamento de ajuda humanitária de um pacote de 100 milhões de dólares (cerca de 87,6 milhões de euros) anunciado por Washington. A Cáritas "vai canalizar 60 milhões" dos 100 milhões de dólares em ajuda, que inclui "conjuntos alimentares e de higiene, que vão beneficiar 700 famílias da arquidiocese de Havana", e cuja distribuição "vai ser realizada de acordo com os critérios de vulnerabilidade estabelecidos para este tipo de ajuda". Leia Também: EUA envia para Cuba primeira ajuda humanitária após promessa de Rubio

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