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De grama de final a medalha vendida: o que campeõe...

De grama de final a medalha vendida: o que campeõe...
Source:espnbz

Atletas dos últimos três títulos revelam o que ainda possuem de recordação

A Fifa anunciou que seguirá a tradição dos Estados Unidos e distribuirá anéis para as delegações de Argentina ou Espanha pelo título da Copa do Mundo, que será decidido no próximo domingo (19). As lembranças das conquistas mundiais, contudo, não é exatamente uma novidade do torneio de 2026. Noventa e quatro jogadores fizeram parte das cinco conquistas de Copa que fazem da camisa da Seleção Brasileira a mais vitoriosa do planeta. Para a CBF, os prêmios por esses títulos são conhecidos, mas quais foram as relíquias que ficaram para os protagonistas que estiveram em campo, por exemplo? Nas últimas semanas, a reportagem da ESPN conversou, procurou e pesquisou o que ficou de história. No geral, a maioria preservou as medalhas dos títulos que participou, mas alguns foram além e reuniram tudo que podiam para eternizar as lembranças e montou memoriais pessoais. Começando de trás para frente, o ex-atacante Edílson, um dos 23 convocados por Luiz Felipe Scolari em 2002, montou um museu particular onde mora, em São Paulo. Além da medalha e da camisa de número 20 que usou no penta, ele reuniu outras camisas, coletes de treino e chuteiras. “Ficou tudo lá em casa. Tem camisa do Rivaldo, do Ronaldo. Eles nem sabem disso. Se eles souberem... Agora eles vão ficar sabendo e vão me pedir tudo”, disse Edílson. Também na capital paulista, Rivaldo, camisa 10 daquela conquista, alugou uma sala comercial para preservar os objetos que fizeram parte da trajetória dele no futebol. A medalha do título brasileiro de 1994 pelo Palmeiras, o prêmio de melhor do mundo em 1999 e muitas camisas estão lá, assim como a medalha da Copa de 2002 e uma réplica do troféu. O capitão do penta montou um museu pessoal dentro da própria casa, na região metropolitana de São Paulo. Ele tem uma réplica oficial da taça, inclusive com o mesmo peso e o mesmo tamanho, a faixa de capitão que usou na final contra a Alemanha, algumas camisas usadas na campanha e a da final – aquela em que ele escreveu “100% Jardim Irene” – e a medalha. Não é incomum itens do acervo desses campeões deixarem o local onde estão e serem emprestados para exposições e eventos comemorativos. Artilheiro daquele mundial, Ronaldo levou os itens que tem para Miami, uma das sedes da atual Copa do Mundo, onde montou a Casa Ronaldo. Quem visita o espaço, que mostra a trajetória do Fenômeno de 1976 até a aposentadoria, vai encontrar uma réplica do troféu da Copa do Mundo, a chuteira da final e a camisa 9 assinada por todos os campeões. MuseuZinho São itens comuns para a geração de 1994, aquela com craques, como Bebeto e Romário, e jogadores indispensáveis, como Dunga e Zinho. Trinta e dois anos atrás, eles foram campeões na primeira Copa organizada pelos Estados Unidos, justamente a última a ser disputada por 24 países e a despedida (dramática) de Diego Maradona. A seleção carregava o peso de 24 anos sem títulos (como neste 2026) e fez um duelo com a Itália para ver quem seria o primeiro tetracampeão do mundo. Zinho era o craque do Palmeiras da era Parmalat e vestia a camisa 9 do Brasil... Um meio-campista com a 9? “Culpa” de Romário, que por superstição pediu para jogar com a 11. Um detalhe que valoriza ainda mais a camisa que está no museu... Ou melhor, no MuseuZinho desde então. “A minha esposa construiu numa área na nossa casa com tudo aquilo que eu conquistei durante a minha carreira. É o MuseuZinho. Lá está a medalha de 1994, num lugar muito especial, em destaque, guardadinha. Também estão lá a camisa do segundo tempo da final autografada por todos os jogadores que venceram aquela Copa comigo, a foto em que eu estou recebendo a medalha, o short azul do jogo da final e alguns pedaços, alguns tufos, da grama do Rose Bowl, o estádio em Pasadena, palco da final”, disse. “Eu também tenho a camisa da Itália. Tem meião, caneleira, tem o short... quando eu vejo esses objetos no MuseuZinho é um sentimento de orgulho. Eu consegui representar o meu país numa Copa do Mundo, ser titular nos sete jogos do torneio e no final estar num rol que é para poucos. São só 94 jogadores brasileiros campeões do mundo, né? Eu olho para aquela medalha de 1994 e falo: ‘Eu sou um deles’.” A geração do tri Ninguém discute que a fase áurea do futebol brasileiro foi entre as décadas de 1950 e 1970, período em que muitos craques foram revelados e a seleção conquistou três títulos mundiais, além de um vice (1950), um terceiro lugar (1978) e um quarto lugar (1974). Entre os craques desse período, o destaque é Pelé, com quatro Copas disputadas e três vencidas. Atrás deles nomes como Garrincha, Didi, Zito, Gérson, Rivellino, Tostão... Pelé foi o nome que mais relíquias reuniu como jogador. Muitos itens estão expostos no Museu Pelé, em Santos, espaço que existe desde 2014. Por exemplo, a caixa de engraxate e a moeda de 400 réis, de 1950, que representa o primeiro pagamento que ele recebeu na vida. Também estão lá camisas, medalhas e chuteiras. Porém, muitos itens do acervo de Pelé acabaram sendo leiloados. O mais famoso leilão foi em 2016, em Londres, quando acabaram vendidos medalhas, troféus e camisas, além da medalha da Copa de 1958 e uma Taça Jules Rimet especialmente confeccionada para o Rei do Futebol. Diferente dos demais campeões que receberam miniaturas de ouro da Taça Jules Rimet, Pelé ganhou da Fifa, com patrocínio do governo México, sede da Copa de 1970, uma Jules Rimet em tamanho original por ser o único jogador três vezes vencedor do torneio. A peça foi arrematada por um valor recorde naquele leilão: 395 libras esterlinas. Algo equivalente a R$ 1,9 milhão dez anos atrás. Quem pensa que o Atleta do Século estava pensando nos ganhos financeiros, errou. Uma parte generosa da arrecadação foi destinada ao hospital infantil Pequeno Príncipe, em Curitiba, projeto do qual Pelé era incentivador, embaixador e padrinho. Menos nobre foi o destino dado à medalha e à miniatura da Jules Rimet de Paulo Cézar Caju, ponta-esquerda de altíssima qualidade. Reserva em 1970, ele revelou ao jornalista Geneton Moraes Neto, numa entrevista para o especial Dossiê Globonews, em 2015, que anos depois do título vendeu ambos os objetos para comprar droga. “É até difícil responder o que é que eu gostaria de ter de volta. Nem sei o que te responder, honestamente. Eu não tinha controle emocional. Jamais eu teria de negociar e vender uma medalha tão preciosa! É uma perda enorme! Nunca comentei com ninguém, mas agora vou me abrir: passei à frente também a Jules Rimet, por causa da droga. A Jules Rimet - que ganhamos! Passei para um brasileiro, que era marchand e ourives. Levei para ele, que me deu um bom dinheiro. Comprei uma quantidade suficiente para usar por um bom período. A Jules Rimet foi embora também... Por que fui experimentar as drogas? Não sei como. Eu, que nunca fui drogado, nem fui alcóolatra, fui experimentar essa maldita cocaína e esse maldito álcool. Não sei por quê! A quem tem filhos, a quem nunca experimentou, eu digo: não experimente! É duro, é duro, é duro”, afirmou Caju para o especial da Globonews, em 2015, quando quis fazer um alerta para o problema do vício já estando recuperado. Dos vencedores de 1970, Edu, que também era ponta-esquerda, olha todos os dias para as relíquias do futebol. A medalha e a mini Jules Rimet fazem parte de um acervo enorme, obtido pelos títulos e viagens que fez com a delegação do Santos em 11 anos defendendo o clube, e guardados com todo o cuidado em Santos. “É o ponto máximo que o jogador pode atingir. Além da Copa do Mundo, não existe mais outra coisa, né? Eu gosto de olhar toda hora, todo dia porque, afinal de contas, foi o que me deu tudo que eu tenho”, disse Edu. Também em Santos estão dois campeões do mundo pela seleção e com um passado glorioso pelo Santos. Um deles é José Macia, o Pepe, ou melhor, o Canhão da Vila, que por um capricho do destino ficou fora do time titular do Brasil nas Copas de 1958 e 1962. Até a estreia em 1958, ele era o camisa 11. Mas se machucou nos últimos amistosos e a vaga ficou com Zagallo. Deu certo, então em 1962 o Velho Lobo ficou no time. Lá em 58, eu fui considerado um dos melhores pontas esquerda do Brasil e fui convocado. Com a minha lesão, nasceu aí o 4-3-3. Quase todos os clubes jogavam no Brasil no 4-2- 4 e nasceu o 4-3-3 porque o Zagallo fazia esse meio-campo e como ganhou em 58 e 62 foi mantido o esquema”, disse Pepe. O Canhão da Vila tem uma sala ampla onde mora em que colocou quase todo o acervo de conquistas. Nas paredes é possível ver fotos, faixas e prêmios. Na mesa central camisas, medalhas e condecorações. Na estante, onde também deixou muitas medalhas, uma réplica do troféu Copa do Mundo que recebeu do presidente da Fifa, Gianni Infantino, e alguns itens de 58 e 62. Pepe mostrou mais de uma medalha. No verso era possível ver que tratavam-se de honrarias dadas por órgãos oficiais do Brasil. Onde estão as originais? Uma das filhas de Pepe revela que quando não estão cedidas para alguma exposição elas ficam em um banco, num cofre, protegidas e bem guardadas. A mesma sorte não teve Mengálvio, o outro santista campeão do mundo. Ele foi um meia-direito de talento. Não à toa tem o nome incluído na formação mais famosa do futebol brasileiro: Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Acabou convocado em 1962, no Mundial do Chile, mas como reserva de Didi. “Foi um acontecimento importante na minha carreira. Todo jogador profissional fica orgulhoso de vestir a camisa do seu país. Eu fui um deles. O titular era o Didi, um dos famosos meias que o Brasil teve. Claro que eu tive que ficar na reserva dele. Não me arrependo não. Fico feliz e contente”, disse Mengálvio. A alegria muda quando o assunto é a medalha de 1962, durante décadas o único objeto que ele guardou daquela conquista. “Não me lembro, não me lembro se eu guardei ou não. Ou se me roubaram. Entendeu? Mas a lembrança aqui é grande [aponta para a cabeça com o dedo indicar]”. O ‘pai’ dos técnicos Dos itens mais chamativos que encontramos durante a reportagem, o mais belo está com o empresário Douglas Mandetta. Ele é neto de Vicente Feola, o primeiro treinador campeão mundial com a seleção brasileira. Foi na Suécia, em 1958, comandando Pelé e Garrincha. Ele tem uma taça de bronze de tamanho e peso correspondente a Taça Jules Rimet da época. Ao nos receber, o item estava em cima da lareira, chamando toda a atenção para si. Mas Mandetta não costuma deixar o objeto assim “solto”. Guarda num banco por segurança. Foi o avô dele, que morreu em 1975, deixou como herança. Junto, rascunhos dos esquemas táticos dos rivais do Brasil na Copa de 1958. Material que não chegamos a ver porque são delicados e estão muito bem protegidos para não serem estragados. “Todas essas relíquias são muito importantes para a história, né? Aqui ainda mais porque foi a primeira Copa do Brasil. E para mim relembrar, eu sempre, toda vez que eu olho, eu lembro dele, porque ele era um avô que eu chamava de nono, espetacular, espetacular demais. Mas cada objeto guarda consigo a história do Mundial vencido”, disse Mandetta

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