Politics·

Decisão de Montenegro sobre férias é resposta a crise e sinal de controlo

Decisão de Montenegro sobre férias é resposta a crise e sinal de controlo

A decisão do primeiro-ministro de não gozar férias no verão é vista por especialistas como uma resposta às críticas e um sinal de controlo de uma eventual crise, embora a presença permanente não altere a ação do Governo. Entrevistados no podcast "Lusa Extra", lançado hoje, o politólogo e investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa António Costa Pinto e o especialista em comunicação política e antigo chefe de gabinete de Paulo Portas no CDS-PP e no Governo José Bourbon

A decisão do primeiro-ministro de não gozar férias no verão é vista por especialistas como uma resposta às críticas e um sinal de controlo de uma eventual crise, embora a presença permanente não altere a ação do Governo. Entrevistados no podcast "Lusa Extra", lançado hoje, o politólogo e investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa António Costa Pinto e o especialista em comunicação política e antigo chefe de gabinete de Paulo Portas no CDS-PP e no Governo José Bourbon-Ribeiro analisaram a decisão do primeiro-ministro, Luís Montenegro, de não gozar férias neste verão. Para Costa Pinto, este tipo de decisões "nunca são espontâneas", mas escolhas "estratégicas que remetem para a relação conjuntural entre o primeiro-ministro e o país" atualmente marcada pelas polémicas a envolver o ministro da Educação, Fernando Alexandre, e o ministro da Administração Interna, Luís Neves, que antecipou poderem marcar todo o verão. O politólogo considerou, no entanto, que a "imagem de dedicação" que o primeiro-ministro pretende transmitir perante a "dinâmica de crise das últimas semanas" ou os problemas que possam surgir, como os incêndios, "não tem grande importância na atitude dos portugueses". Costa Pinto argumentou ainda que, tendo em conta o funcionamento do Governo e a centralização do executivo na figura do primeiro-ministro, para Luís Montenegro "estar numa praia em Quarteira, em casa ou na Presidência do Conselho de Ministros é rigorosamente igual". Bourbon-Ribeiro concordou que é indiferente a localização do primeiro-ministro durante no verão e considerou que Montenegro procura mostrar prontidão perante as críticas da oposição à viagem aos Estados Unidos para ver a seleção nacional no Mundial de Futebol, além das crises a envolver Fernando Alexandre e Luís Neves. "Existe aqui uma mensagem clara de 'estou ao leme, estou ao comando, aconteça o que acontecer'. Não sabemos o desfecho do caso do ministro Luís Neves, do caso dos exames nacionais e do ministro de Fernando Alexandre (...) nunca se sabe o que vem por aí", afirmou. O especialista em comunicação política disse ainda não ter encontrado precedentes de primeiros-ministros sem férias em Portugal e defendeu que "todos precisam de descanso", acrescentando que o "inquieta a ideia de ter um primeiro-ministro que não descanse". Bourbon-Ribeiro recordou ainda que, no ano passado, Luís Montenegro e os dirigentes do PSD foram criticados por participarem na Festa do Pontal durante um período crítico de incêndios, considerando que esse episódio "não correu bem do ponto de vista da comunicação" e poderá ter influenciado a forma como o líder do Governo geriu o verão deste ano. Costa Pinto ressalvou que o impacto político da decisão dependerá do que acontecer nas próximas semanas, admitindo que, se Portugal enfrentar incêndios de grande dimensão, o anúncio poderá ser valorizado e a estratégia de Montenegro poderá ser valorizada. Bourbon-Ribeiro disse ainda ter achado curioso que Montenegro tenha justificado essa opção com a sua "vida familiar e política", pondo a família em primeiro lugar na explicação dada: "Creio que não quis dramatizar o anúncio (...), evitar especulações sobre remodelações e demissões". Durante o 'podcast', Costa Pinto assinalou ainda que as "férias para a elite política muitas vezes é o produto de uma estratégia, exemplificando com as idas à praia do antigo Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa e recordando que "muitos políticos tiveram grandes problemas por serem apanhados em 'resorts'", como aconteceu com Durão Barroso. Para José Bourbon-Ribeiro, um político, nas suas férias, deve "manter exatamente o estilo de vida que tinha antes de ser político" e só há "problema quando as pessoas olham para alguém e dizem 'ias para a praia A e desde que és ministro passaste a ir para a praia B, alteraste os hábitos'".

This is a summary. Read the full article at the original source.

Read full article at dnoticias_pt