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Disputa geopolítica pela liderança da inteligência artificial

Disputa geopolítica pela liderança da inteligência artificial

Norte-americana Anthopic enfrenta novas acusações de governo chinês em mais um capítulo da guerra tecnológica entre Estados Unidos e China

A corrida tecnológica da inteligência artificial (IA) mostra várias disputas em curso nesse mercado trilionário que vai além da disputa comercial entre China e Estados Unidos. Uma das mais recentes ocorreu entre o país asiático e a norte-americana Anthropic, em torno de um mecanismo de monitoramento. O National Vulnerability Database, órgão chinês de cibersegurança, afirmou ter identificado supostas vulnerabilidades de backdoor (porta dos fundos) no Claude Code, ferramenta de programação desenvolvida pela Anthropic. Segundo a agência, versões lançadas entre abril e junho conteriam um mecanismo capaz de transmitir informações sensíveis dos usuários, como identidade e localização geográfica, para servidores remotos sem autorização. Diante da suspeita, o órgão recomendou que usuários removam o software ou atualizem imediatamente para a versão mais recente. Leia também: Profissionais de IA: por que o mercado disputa esses especialistas? Leia também: IA e eleições: especialista alerta para influência na percepção coletiva A controvérsia surgiu após discussões em fóruns on-line apontarem que a Anthropic teria inserido códigos destinados a monitorar acessos provenientes da China. Segundo a Anthropic, empresas chinesas, entre elas a Alibaba, estariam recorrendo a esse tipo de prática desde fevereiro. O episódio elevou as tensões entre os dois países na corrida pela liderança em IA. Após a divulgação das alegações, a Alibaba proibiu oficialmente seus funcionários de utilizarem o Claude Code no ambiente corporativo. Para o cofundador da plataforma de IA Mogno, João Mano, a disputa em torno do Claude Code reflete uma competição tecnológica que tende a se intensificar nos próximos anos. Segundo ele, a inteligência artificial tornou-se um ativo estratégico para os países, o que dificulta qualquer tentativa de estabelecer limites globais para seu desenvolvimento. 'A IA vem mostrando-se uma arma tecnológica extremamente poderosa. Qual governo ou país estaria genuinamente disposto a abrir mão dela? Em um mundo multipolar, qualquer tentativa de controle tende a fracassar diante da incerteza de que a outra parte continuaria desenvolvendo a tecnologia sem restrições', afirma. Na avaliação do especialista, o cenário atual lembra a corrida armamentista da Guerra Fria, mas sem mecanismos internacionais capazes de impor limites. 'Na corrida nuclear, o mundo construiu tratados, inspeções e mecanismos de dissuasão. Na inteligência artificial, sequer existe um consenso mínimo sobre o que deve ser medido, quem deve fiscalizar ou quais consequências devem existir para quem descumprir regras', observa. Siga o canal do Correio no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular? O executivo e escritor Arthur De Santis avalia que o episódio envolvendo a Anthropic também faz parte de uma disputa mais ampla pela liderança em inteligência artificial entre EUA e China. Segundo ele, existe uma guerra de narrativas, mas ambos os países possuem vantagens estratégicas distintas. 'A China conta com modelos bastante maduros, um enorme ecossistema digital, grande volume de dados e uma forte coordenação entre Estado, indústria e pesquisa. Isso não pode ser subestimado', explica. *Estagiário sob a supervisão de Rosana Hessel Saiba Mais Economia IA ainda é frágil no quesito segurança, revela indicador Economia Receita prevê arrecadar R$ 17,2 bilhões com IR sobre dividendos Economia Tarifaço pode afetar até 32% das exportações para os Estados Unidos Economia Governo prevê tarifas cumulativas dos EUA e prepara resposta Economia Paramount e Warner concordam em adiar conclusão de fusão em meio a questionamentos judiciais Economia Etanol é mais competitivo do que a gasolina em 10 Estados e no DF

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