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Estátuas do herói da independência Aung San a desaparecer em Myanmar

Estátuas do herói da independência Aung San a desaparecer em Myanmar

As estátuas do herói da independência Aung San estão a desaparecer em Myanmar (antiga Birmânia), no âmbito de uma disputa em torno do legado do pai da nação e de Aung San Suu Kyi, figura destronada da democracia.

O general Aung San, que combateu os colonizadores britânicos e os ocupantes japoneses na luta pela independência, foi assassinado a 19 de julho de 1947, alguns meses antes de ver concretizado o sonho da independência. As estátuas de Aung estão espalhadas pelo país do Sudeste Asiático há décadas. Muitas foram erguidas quando o partido da filha, Aung San Suu Kyi, estava no poder. E muitas estão hoje a ser retiradas pelo Governo de Min Aung Hlaing, que derrubou Aung San Suu Kyi em 2021, na sequência de um golpe de Estado militar. No parque Thu Mingalar, em Rangum, um jornalista da agência de notícias France-Presse (AFP) constatou a ausência de uma imponente estátua instalada há cerca de 10 anos, substituída por um quadrado de relva recém-plantada. Aung San está "gravado na memória das pessoas" e muitos veem o legado deste a continuar através da filha, afirma a especialista em Myanmar Moe Thuzar. Desde o golpe de Estado de 2021, que desencadeou uma guerra civil, o exército procura, segundo a especialista, "desacreditar politicamente" Aung San Suu Kyi e o partido Liga Nacional para a Democracia (LND). "Podem retirar as estátuas, mas nunca conseguirão apagar a imagem de Bogyoke", disse um habitante de Rangum, utilizando a palavra birmanesa para general. "Já detêm o poder, as armas e o exército. Não sei do que ainda têm medo", acrescenta o homem de 34 anos, que prefere não ser identificado por razões de segurança. Quando os meios de comunicação locais noticiaram a remoção de várias estátuas, a porta-voz do Governo, Khaing Khaing Soe, evocou "formas e proporções incorretas". As estátuas de Aung San têm vindo a ser analisadas desde 2016 em cerca de uma centena de distritos e algumas não seriam "dignas de uma figura histórica tão importante". Estão a ser realizados "esforços de manutenção" para evitar "qualquer falta de respeito para com as estátuas comemorativas" e garantir que "as gerações futuras possam continuar a estudar o património histórico de Myanmar de forma adequada", explicou. Uma estátua instalada durante o Governo da LND foi recentemente removida do parque Mya Kan Thar, em Rangum. No entanto, era "perfeitamente correta, com boas proporções", considera um morador. Apesar do estatuto de herói nacional, Aung San é sobretudo celebrado pelas elites bamar, que constituem a maioria no país, em vez dos grupos étnicos minoritários que lutam contra o poder central há décadas, salienta o investigador Morgan Michaels. Os kachin e os karenni, nomeadamente, "têm os seus próprios heróis", explica este especialista em Myanmar do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos. "Não gostam que lhes seja imposta a sua imagem e o simbolismo que a acompanha, o da dominação bamar sobre o Estado", completou. Desde o golpe de Estado, algumas das numerosas fações étnicas de Myanmar aliaram-se a guerrilhas pró-democracia para combater as forças armadas. Um responsável político proveniente de um grupo étnico minoritário reconhece a luta heroica de Aung San pela independência, mas acusa a LND de ter erguido as estátuas "no interesse do partido". "Não há necessidade de manter tantas estátuas dele", prossegue, considerando que a era da LND, dissolvida pela junta, "já pertence ao passado". Leia Também: Myanmar. Mais de 500 refugiados rohingya podem ter morrido em naufrágios

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