Exportações do agro capixaba recuam 2,3% no semestre, na contramão do Brasil

Agro capixaba exporta US$ 1,52 bilhão no primeiro semestre. Pimenta e café sobem, mas celulose e carne derrubam o resultado
O agronegócio do Espírito Santo exportou US$ 1,52 bilhão no primeiro semestre de 2026, queda de 2,3% em relação ao mesmo período de 2025, quando o setor havia registrado US$ 1,56 bilhão, o maior valor da série histórica para o período de janeiro a junho, segundo dados da Secretaria de Estado da Agricultura. O resultado vai na contramão do Brasil, que cresceu 6,2% nas exportações do agro no mesmo período. A pimenta-do-reino e o café empurraram para cima e a celulose e a carne bovina puxaram para baixo. O complexo do café, responsável por 54,2% de todas as exportações do agro capixaba, cresceu 6,7% no semestre. O café verde (arábica e conilon sem beneficiamento) liderou com alta de 10,4%, chegando a US$ 658,3 milhões. O volume maior reflete o avanço da colheita e a diversificação de mercados que o ES vem construindo ao longo dos últimos anos. Mas dentro do complexo, o café solúvel seguiu sofrendo: queda de 18,3%, chegando a US$ 93,1 milhões. As tarifas americanas que vararam o primeiro semestre com idas e vindas prejudicaram as exportações do produto industrializado para os Estados Unidos, principal comprador do solúvel capixaba. “Os valores obtidos com a venda foram maiores mesmo com a queda nos preços, isso significa que o mercado aumentou lá fora. Sobre o solúvel, sofreu muito com a tarifação, mas a nossa expectativa é de melhora”, afirmou o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli. A pimenta-do-reino foi a grande notícia positiva do semestre. Depois do histórico 2025, quando as exportações superaram em apenas seis meses todo o valor exportado em 2024, as vendas seguem muito fortes: US$ 232,5 milhões no semestre, alta de 15,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. “É um marco muito importante para o agro do Espírito Santo. A pimenta se consolidou como o terceiro produto mais vendido pelo Estado e está entregando um resultado formidável”, destacou Bergoli. O chocolate e preparados de cacau também avançaram 15,3%, reflexo do crescimento das marcas capixabas de processamento que vêm ganhando mercado nacional e internacional. Do lado negativo, a celulose foi o principal vilão do semestre. As exportações caíram de US$ 492,1 milhões no primeiro semestre de 2025 para US$ 400,7 milhões em 2026, queda de 18,6%. A Suzano reduziu a produção no ES por causa da falta de madeira: a matéria-prima que vinha de Minas Gerais ficou com logística cara demais, o que levou a uma redução no volume processado e consequentemente nas divisas geradas. Preços mais baixos no mercado internacional completaram o quadro adverso para o setor. A queda mais expressiva em termos percentuais foi a da carne bovina: -95,5%. O Frisa, frigorífico de Colatina, transferiu a produção destinada à exportação para sua unidade em Nanuque, Minas Gerais, diante de dificuldades com mão de obra no ES. O resultado foi uma queda quase total nas exportações de carne pelo estado. O pescado também recuou 69,7%, o gengibre caiu 11,6% e o mamão cedeu 1,6%. O retrato do primeiro semestre é o de um agro capixaba com múltiplos vetores em direções opostas. Café verde e pimenta mostram que as cadeias de maior volume seguem competitivas e em expansão. A celulose expôs uma fragilidade logística que a Suzano precisará resolver para recuperar o ritmo. E a carne bovina saiu do estado por decisão operacional da Frisa, não por perda de mercado. O dado mais relevante para o segundo semestre, porém, chegou esta semana. O café solúvel brasileiro foi incluído na lista de isenções da nova tarifa americana de 25%, a única modalidade da cadeia cafeeira que ainda estava sendo taxada pelos Estados Unidos. A tarifa de 50% que vigorou entre agosto e dezembro de 2025 derrubou os embarques em 62,8% naquele período. Com a isenção confirmada, o setor volta a operar em condições competitivas para o principal mercado do solúvel capixaba e a expectativa do Cecafé é de recuperação expressiva nos embarques até o fim do ano. Para o complexo industrial de café do Espírito Santo, que concentra um dos maiores parques de solúvel do Brasil, essa é a melhor notícia do semestre.
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