Festivale transforma Botumirim na capital da cultura popular do Jequitinhonha

Nascido da mobilização de jovens que encontraram na cultura um instrumento de identidade, o Festivale chega à 41a edição celebrando a música, os saberes populares, a religiosidade, o artesanato e o modo de vida do Vale do Jequitinhonha. De 28 de julho a 1o de agosto, Botumirim recebe uma programação gratuita que também fortalece o turismo, movimenta a economia e amplia a visibilidade de uma das regiões culturalmente mais ricas de Minas Gerais.
Festivale transforma Botumirim na capital da cultura popular do Jequitinhonha (Botumirim (Foto: Wilson Santos)) Existem eventos que oferecem entretenimento, movimentam as cidades durante alguns dias e depois deixam apenas lembranças e outros conseguem ir além, atravessam gerações, ajudam a construir identidades e transformam-se em espaços permanentes de encontro, diversão e afirmação cultural. O Festivale Festival de Cultura Popular do Vale do Jequitinhonha pertence a esse segundo grupo. Ao reunir músicos, artesãos, atores, escritores, poetas, mestres da cultura popular, grupos tradicionais e comunidades de diferentes municípios, o evento apresenta ao público um Vale que não se resume às dificuldades econômicas e sociais frequentemente associadas à região. O que se vê no Festivale é um território criativo, diverso e profundamente conectado às suas origens. Um Vale que canta, dança, reza, cozinha, modela o barro, conta histórias, preserva memórias e transforma experiências cotidianas em manifestações artísticas de grande força e sensibilidade. Em 2026, essa história chega à sua 41a edição. Entre os dias 28 de julho e 1o de agosto, Botumirim, no Norte de Minas Gerais, será a sede do festival e se transformará em um grande ponto de encontro da cultura popular do Jequitinhonha. Um festival nascido da mobilização cultural Um dos mais emblemáticos e longevos festivais do interior mineiro, o Festivale, que teve sua origem no finalzinho da década de 70, pela força de um grupo de estudantes, que acreditavam na força das expressões culturais, realizaram um encontro de compositores de várias cidades do Jequitinhonha, que confirmou que a música poderia ser um caminho para a integração regional e a valorização da identidade do Vale. A experiência ousada, abriu espaço para um encontro ainda mais amplo, capaz de incorporar o artesanato, a dança, o folclore, o teatro, a literatura e outras expressões populares. Assim vieram, no comecinho dos anos 80, as primeiras edições do Festivale. O ponto de partida foi o município de Itaobim e desde então, o evento tornou-se uma das mais importantes referências de valorização e difusão da cultura popular mineira. O Festivale nasceu, para aproximar comunidades, provocar reflexões, incentivar a organização regional e enfrentar os estigmas historicamente impostos ao Jequitinhonha. A trajetória cultural do festival, reforça a afirmação do Vale do Jequitinhonha, como um território de cultura, criatividade e conhecimento. A itinerância que aproxima e fortalece o Vale Uma das características mais importantes do Festivale é seu caráter itinerante. A cada edição, uma cidade diferente recebe artistas, mestres, produtores culturais, moradores e visitantes de vários municípios. O festival já passou por dezenas de cidades, permitindo que diferentes comunidades se tornassem protagonistas da programação e mostrassem suas tradições, seus talentos, sua gastronomia e seus patrimônios. A itinerância distribui oportunidades e evita que a atividade cultural permaneça concentrada apenas nos maiores centros urbanos. LEIA TAMBÉM: Os Festivais de Inverno continuam fundamentais para a cultura brasileira Quando uma cidade recebe o Festivale, não recebe apenas uma sequência de shows e apresentações e sim, um público interessado em conhecer o lugar, circular pelo comércio, experimentar a culinária, adquirir peças do artesanato, utilizar meios de hospedagem, contratar transportes e descobrir os atrativos naturais e culturais do município. O festival também ajuda a despertar nos próprios moradores um novo olhar sobre aquilo que possuem. Tradições que, muitas vezes, são tratadas como parte comum da rotina ganham visibilidade, reconhecimento e valor econômico. O saber de uma artesã, a cantoria de um grupo tradicional, uma receita familiar, uma celebração religiosa ou uma história contada pelos mais velhos passam a ser compreendidos como patrimônios capazes de fortalecer a identidade e gerar oportunidades. Botumirim, unindo natureza, cultura e pertencimento Cachoeira do Bananal (Foto: Wilson Santos) Pequena em população, mas grandiosa em patrimônio natural, Botumirim possui 5.790 habitantes, segundo o Censo Demográfico de 2022. Integrante da Cordilheira do Espinhaço, a cidade é cercada por montanhas, rios, cachoeiras, áreas protegidas e extensos campos rupestres. Entre seus maiores patrimônios encontra-se a nascente do Rio Bananal, localizada no Parque Estadual de Botumirim, na região da Campina. Ao percorrer a serra, o rio esculpe a paisagem até formar a Cachoeira do Bananal, com aproximadamente 220 metros de altura. Situada a pouco mais de oito quilômetros do centro da cidade, a queda-dágua é considerada uma das maiores de Minas Gerais e constitui um dos principais cartões-postais do município. Botumirim também conquistou relevância internacional na área da conservação ambiental. Em 2015, o ornitólogo Rafael Bessa redescobriu no município a rolinha-do-planalto, uma das aves mais raras e ameaçadas de extinção do mundo, depois de 75 anos sem registros na natureza. A redescoberta atraiu pesquisadores, observadores de aves e visitantes de mais de 50 nacionalidades. Atualmente, a espécie tornou-se um símbolo local e uma referência para a conservação da biodiversidade, criando possibilidades para o turismo de natureza e de observação de aves. Ao escolher Botumirim como sede de sua 41a edição, o Festivale aproxima dois patrimônios que se complementam, ou seja, a riqueza ambiental da Serra do Espinhaço e a diversidade cultural do Vale do Jequitinhonha. Cultura que emociona e nasce da vida O apelo emocional do Festivale está justamente em sua capacidade de apresentar manifestações que não foram criadas apenas para ocupar um palco. São expressões que nasceram dentro das comunidades e carregam histórias familiares, religiosidade, ancestralidade, trabalho, perdas, conquistas e modos particulares de compreender o mundo. As manifestações culturais que participarão da edição em Botumirim, não representam somente atrações artísticas. Cada grupo traz consigo histórias transmitidas entre gerações e demonstra como a cultura participa da própria formação social das comunidades. Essa profundidade faz com que o público não seja apenas espectador. Quem participa do Festivale é convidado a ouvir, observar, aprender, recordar, refletir e para muitos moradores, o evento representa a oportunidade de rever amigos, reencontrar artistas, recuperar memórias e renovar o sentimento de pertencimento ao Vale. Para quem chega de fora, é uma possibilidade de conhecer Minas Gerais por uma perspectiva mais humana e verdadeira, distante das imagens prontas e dos roteiros turísticos convencionais. Uma programação que revela a diversidade regional Com atividades diárias previstas das 8h às 2h, a programação gratuita da 41a edição reunirá música, teatro, cortejos, literatura, artesanato, formação cultural e manifestações tradicionais. O festival será realizado pelo Instituto Sociocultural Bruta Flor, pela nova diretoria da Federação das Entidades Culturais e Artísticas do Vale do Jequitinhonha Fecaje e pela Prefeitura Municipal de Botumirim. Durante cinco dias, a cidade receberá apresentações musicais, espetáculos teatrais, corais, grupos de congado e catopês, bois de janeiro, folias de reis, batuques, tamborzeiros das irmandades de Nossa Senhora do Rosário, rodas de conversa e atrações destinadas ao público infantil. A programação formativa terá oficinas de técnica vocal, dança afro, danças populares, teatro, percussão, artes visuais, artes plásticas, brinquedos e brincadeiras, criação de portfólios e formação de agentes culturais. Essas atividades ajudam a ampliar o alcance do festival. LEIA TAMBÉM: Produção associada, identidade local, economia criativa e desenvolvimento! Além de assistir às apresentações, os participantes poderão adquirir conhecimentos, aperfeiçoar técnicas, trocar experiências e compreender melhor os caminhos necessários para transformar uma vocação artística em atuação profissional. Mestres, mulheres e saberes ganham reconhecimento Titane (Foto: Luiza Palhares) Uma das novidades será o Encontro de Mestres do Jequitinhonha, criado para reunir importantes representantes da cultura popular regional em debates e momentos de compartilhamento de saberes. A iniciativa reforça uma dimensão essencial do Festivale, que é reconhecer que os mestres populares são guardiões de conhecimentos construídos ao longo de muitas gerações. São pessoas que aprenderam com a convivência, com a oralidade e com a prática comunitária e que possuem papel fundamental na transmissão das tradições. As homenagens desta edição serão dedicadas às mulheres que atuam em diferentes campos culturais. Entre as homenageadas estão a cantora Déa Trancoso, de Almenara; a artesã Marlice Machado, de Berilo; a poetisa Vilma Baracho, homenageada in memoriam; a mestra de Folia de Reis Jovença Pereira da Costa; e a atriz e produtora Cristina Gonçalves. Ao reconhecer essas trajetórias, o festival também evidencia o protagonismo feminino na preservação cultural do Vale. São mulheres que cantam, escrevem, representam, conduzem celebrações, produzem artesanato, organizam grupos e mantêm vivos conhecimentos que fazem parte da memória regional. A música como identidade e oportunidade Saulo Laranjeira (Foto: Lu Gontijo) A música sempre ocupou posição central no Festivale, afinal, foi justamente um encontro de compositores que deu origem à trajetória do festival. Na 41a edição, artistas consagrados dividirão espaço com novos talentos, corais e grupos ligados às manifestações populares. Estão previstas apresentações de Saulo Laranjeira, Titane, Déa Trancoso, Novos Trovadores do Jequitinhonha, Banda Congadar, Bete Antunes, Bruno Mark, A Outra Banda da Lua, Banda Xumbim com Rapadura, Olga Lívia, Vinícius Lúcio e Projeto Terceira Margem. Também participarão o Coral Araras Grandes, o Coral Trovadores do Vale, o Coral Flor da Terra e o Coral Água Branca, entre outras atrações. A convivência entre artistas experientes e novos intérpretes contribui para renovar a cena cultural. Ao mesmo tempo em que reconhece trajetórias já consolidadas, o Festivale abre espaço para que jovens músicos apresentem seus trabalhos, construam redes de contato e sejam conhecidos fora de suas cidades. Num mercado cultural ainda marcado pela concentração de oportunidades, oferecer palco e visibilidade aos artistas do interior representa uma contribuição concreta para a continuidade da produção musical regional. A Bênção das Águas une fé, memória e ancestralidade A tradicional Bênção das Águas será realizada às margens do Rio do Peixe e promete ser um dos momentos mais simbólicos da programação. A celebração reunirá grupos de diferentes localidades do Vale do Jequitinhonha e do Norte de Minas em um encontro marcado pela fé, pelo sincretismo religioso e pela valorização das tradições afro-brasileiras. LEIA TAMBÉM: Festival de Jazz de São Lourenço une grandes nomes da música, gastronomia e o charme da Serra da Mantiqueira Participarão o Terno de Catopês de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, de Bocaiúva; o Terreiro São Rafael, de Medina; os Tamborzeiros de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, de Virgem da Lapa; o Congado de Nossa Senhora da Conceição, de Couto de Magalhães de Minas; e o Congado Nossa Senhora do Rosário Batuque dos Quilombolas de Berilo. A Bênção das Águas demonstra como natureza, cultura e espiritualidade permanecem profundamente interligadas na vida das comunidades. A água aparece como fonte de vida, patrimônio ambiental, elemento sagrado e parte inseparável da história dos povos do Vale. Teatro, literatura e manifestações populares ocupam a cidade O teatro também terá presença expressiva, com espetáculos destinados a diferentes faixas etárias. Entre as montagens anunciadas estão A Rua, a Lama e a Santa, da Cia. Carroça Teatral, de Sete Lagoas; A Morte do Palhaço, do Gruti, de Itinga; e A Mais Forte, da Cia. Ícaros do Vale, de Araçuaí, que completa 30 anos de atuação. Outra novidade será o Primeiro Encontro de Bois, reunindo grupos e personagens tradicionais de diferentes municípios. Estão previstas participações da Folia do Mestre Regi; do Boi de Janeiro de Luan, Maria Tereza e Vanessa, de Pedra Azul; do Boi de Janeiro e da Nega Maluca de Maria Trovão, de Itaobim; do Boi do Ipê e do Boi dos Guaranis, de Salto da Divisa; e da Folia de Reis de Maria do Bode, de Almenara. No dia 29 de julho, a literatura assumirá o protagonismo. Intervenções serão realizadas ao longo do dia pelas ruas de Botumirim, culminando na tradicional noite literária, um dos momentos mais aguardados do festival. A ocupação das ruas, praças e espaços públicos aproxima a arte da população. Turismo, gastronomia e economia entram em cena Serra do Espinhaço (Foto: Wilson Santos) A realização de um evento dessa dimensão provoca impactos que ultrapassam o campo cultural. Durante o Festivale, Botumirim deverá receber artistas, produtores, equipes técnicas, expositores e visitantes, ampliando a demanda por alimentação, hospedagem, transportes, comércio e outros serviços. A feira de artesanato permitirá ao público conhecer e adquirir peças produzidas por artistas e artesãos do Vale. Já a praça de alimentação oferecerá doces, biscoitos e outras especialidades da culinária regional. Nesse ambiente, a cultura passa a dialogar diretamente com o turismo e com a economia criativa. Uma peça de artesanato ajuda a contar a história de quem a produziu, uma receita tradicional transforma-se em experiência gastronômica, uma manifestação religiosa desperta interesse pela história local, uma apresentação musical pode motivar o visitante a permanecer mais tempo na cidade e conhecer seus atrativos naturais. Para que esses resultados permaneçam depois do encerramento do festival, será importante que o município e os empreendedores locais estejam preparados para acolher o público, divulgar os atrativos e transformar o fluxo temporário em novas possibilidades de visitação. O patrimônio natural de Botumirim, associado à programação cultural, cria uma oportunidade especial para apresentar o município como destino de turismo de natureza, cultura, observação de aves e experiências comunitárias. O Vale reconhecido, se apresenta ao mundo Ao longo de mais de quatro décadas, o Festivale tornou-se um dos mais importantes movimentos de afirmação da identidade do Jequitinhonha. Sua força não está apenas na quantidade de atrações, mas na profundidade das experiências que promove e na oportunidade de fazer com que as comunidades se reconheçam como produtoras de cultura e conhecimento. O festival mostra que a cultura não é um elemento decorativo e tampouco uma atividade isolada da realidade. Entre 28 de julho e 1o de agosto, Botumirim será o ponto de encontro de muitas histórias, vozes, sotaques, crenças e saberes que formam a identidade mineira. Durante cinco dias, o Vale do Jequitinhonha mostrará mais uma vez que sua maior riqueza está naquilo que seu povo cria, preserva, compartilha e transmite de geração em geração. Fique atento e programe-se para 41o FESTIVALE, de 28 de julho a 1o de agosto de 2026. Maiores informações, acione @oscbrutaflor e @fecajedojequitinhonhaoficial e vale ainda, pesquisar sobre onde se hospedar. Veja aqui. Aproveite! Até a próxima! Siga o @portaluaiturismo no Instagram e no TikTok @uai.turismo
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