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Fundo de Abu Dhabi compra a UVV e chega ao Espírito Santo

Fundo de Abu Dhabi compra a UVV e chega ao Espírito Santo

A Clariens Educação, braço de ensino médico do Mubadala Capital, gestora de ativos do fundo soberano de Abu Dhabi, comprou o controle da Sociedade Educação e Gestão de Excelência (Segex), mantenedora da Universidade Vila Velha (UVV). O negócio marca a chegada do fundo dos Emirados Árabes ao mercado de educação capixaba. É a sexta instituição [...]

A Clariens Educação, braço de ensino médico do Mubadala Capital, gestora de ativos do fundo soberano de Abu Dhabi, comprou o controle da Sociedade Educação e Gestão de Excelência (Segex), mantenedora da Universidade Vila Velha (UVV). O negócio marca a chegada do fundo dos Emirados Árabes ao mercado de educação capixaba. É a sexta instituição comprada pela Clariens no país, e a primeira fora do eixo Bahia, Goiás e Minas Gerais. Para o grupo, a UVV também representa a entrada no ensino a distância (EAD). A universidade oferece 55 cursos de graduação, presenciais e a distância, além da faculdade de medicina e de nove programas de residência. Tem ainda 57 cursos de MBA e pós-graduação e 12 programas de mestrado e doutorado. A UVV é a primeira e única universidade particular do Espírito Santo. Fundada em 1974 pelo professor Aly da Silva, passou a ser controlada nos anos 1980 por seu filho, José Luiz Dantas, que comanda a mantenedora há cerca de quatro décadas. Reúne mais de 10 mil alunos em quatro campi, três na Grande Vitória e um em Guaçuí, no sul do Estado. A aposta da Clariens está concentrada em um segmento de tíquete alto. As mensalidades de medicina podem superar R$ 10 mil, o que ajuda a explicar o apetite de fundos e grupos de educação pelo setor. O grupo foi criado em 2021 e faz parte do Mubadala Capital, presente no Brasil desde 2012. A expansão vem sendo feita por aquisições. Em 2022, comprou o curso de medicina da antiga Faculdade FTC, em Salvador, e a Unesulbahia, em Eunápolis, ambas na Bahia. Em 2023, adquiriu a Imepac de Itumbiara, em Goiás. Em 2024, o Inapós, em Pouso Alegre (MG), e, em 2025, o Centro Universitário Imepac, em Araguari, também em Minas. Com os cinco ativos anteriores, a Clariens somava cerca de mil vagas e 5 mil alunos matriculados em medicina. Boa parte das faculdades foi reunida sob a marca Zarns. O movimento acontece após uma forte expansão da oferta de medicina no país. Um levantamento da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) apontou que, entre janeiro de 2024 e setembro de 2025, o Ministério da Educação autorizou 77 novos cursos, o equivalente a 4.412 vagas. Outros 20 cursos já existentes ampliaram turmas, somando 1.049 vagas. No total, foram 5.461 novas vagas em menos de dois anos. O Brasil chegou a 494 escolas médicas em 2025, com 50.974 vagas anuais de graduação, das quais 80% em instituições privadas, segundo o mesmo estudo. Essa multiplicação de cursos, puxada por liminares que liberam novas turmas, aumenta a concorrência e pressiona os preços. Ainda assim, o grupo manteve o ritmo de compras. A compra da UVV se soma a outras apostas do Mubadala no Brasil, que vão da refinaria de Mataripe, na Bahia, ao MetrôRio e a projetos de combustível verde. Com esse movimento, o Espírito Santo, coloca uma das maiores instituições de ensino do estado sob controle estrangeiro.

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