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Infraestrutura natural precisa de recursos

Infraestrutura natural precisa de recursos

O Brasil vive um forte impulso em torno da bioeconomia: programas como o Eco Invest e o Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia mobilizam bilhões para transformar a biodiversidade em uma nova fronteira econômica. Mas essa economia depende de recursos para financiar a infraestrutura natural — florestas em pé, ciclos hídricos estáveis e biodiversidade conservada — que torna tais negócios viáveis. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.

Liderança do país na bioeconomia dependerá, antes de tudo, de financiar de forma estável e previsível os ativos naturais Atualizado RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 15/07/2026 - 19:46 Brasil Avança na Bioeconomia, Mas Enfrenta Desafios de Financiamento Ambiental O Brasil avança na bioeconomia, mas enfrenta desafios para financiar a infraestrutura natural essencial, como florestas e ciclos hídricos. Programas como Eco Invest e iniciativas estaduais buscam valorizar ativos ambientais, mas ainda tratam áreas protegidas como custos. A seca histórica destacou a importância da conservação, enquanto um modelo pioneiro de valoração de ativos em UCs, liderado por estados amazônicos, busca reverter essa lógica. O Brasil vive um forte impulso em torno da bioeconomia: programas como o Eco Invest e o Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia mobilizam bilhões para transformar a biodiversidade em uma nova fronteira econômica. Mas essa economia depende de recursos para financiar a infraestrutura natural — florestas em pé, ciclos hídricos estáveis e biodiversidade conservada — que torna tais negócios viáveis. O problema é que a contabilidade pública e privada ainda trata as áreas protegidas como custo. Manter milhões de hectares de Unidades de Conservação (UCs) exige fiscalização, infraestrutura e monitoramento — e um estudo recente estima que a Amazônia opera com um déficit de cerca de 80% dos recursos necessários. É uma agenda ambiental, mas também fiscal e federativa: os estados amazônicos administram ativos cujos benefícios alcançam todo o país, enquanto o custo de mantê-los segue concentrado neles. É um paradoxo fiscal insustentável. O Banco Mundial estimou que a Amazônia preservada gera US$ 317 bilhões por ano em serviços ecossistêmicos — sete a oito vezes o orçamento público anual da Amazônia brasileira. Uma infraestrutura invisível, tão relevante quanto rodovias ou hidrelétricas. A seca histórica de 2023 e 2024 na Amazônia evidenciou esse valor ao comprometer a navegação, a produção agrícola, a geração de energia e afetar consumidores. Com um novo El Niño previsto, o risco econômico volta ao centro do debate. Embora o fenômeno decorra de um ciclo natural do Pacífico, manter florestas em pé é a principal forma de reduzir seus impactos sobre a disponibilidade de água, os incêndios e a atividade econômica. Ainda assim, seguimos tratando essa infraestrutura como uma obrigação dos tesouros estaduais, enquanto seus benefícios são apropriados por toda a sociedade. Superar essa barreira exige inovação financeira. Com esse objetivo, as secretarias de Fazenda dos nove estados da Amazônia Legal, reunidas no Consórcio Interestadual da Amazônia Legal (CAL), e a NatureFinance estruturam um modelo pioneiro de valoração de ativos ambientais em UCs de proteção integral, respeitando a natureza pública das áreas protegidas e a soberania dos estados. Ancorada na Lei de Pagamento por Serviços Ambientais, a iniciativa traduz o desempenho ecológico de cada área em indicadores auditáveis. O mecanismo não privatiza terras nem transfere direitos sobre recursos naturais; cria um canal transparente para que quem se beneficia das florestas — hidrelétricas, indústria e agronegócio — contribua para sua conservação. Convertido em receita recorrente, esse modelo alivia os orçamentos estaduais e financia a proteção das UCs, com potencial para gerar centenas de milhões de reais para os nove estados. O piloto ocorre no Parque Estadual Serra dos Reis, em Rondônia. Há quatro décadas, seus 36 mil hectares integram um corredor ecológico com o dobro da conectividade média mundial. A metodologia poderá ser replicada nas 27 unidades prioritárias já mapeadas, uma área equivalente ao dobro da Suíça, ampliando receitas e reduzindo a pressão fiscal sobre os estados que mais contribuem para a provisão de serviços ambientais ao país. A ciência demonstrou há décadas que a floresta tem valor. Investir nesses ativos não é filantropia, mas gestão de risco, resiliência das cadeias produtivas e alinhamento a padrões como os da Força-Tarefa para Divulgações Financeiras Relacionadas à Natureza (TNFD). O desafio agora é transformar esse valor em fluxos permanentes de investimento, receita pública e desenvolvimento regional. Consolidar a liderança do Brasil na bioeconomia dependerá, antes de tudo, de financiar de forma estável e previsível os ativos naturais que a sustentam. *Luana Maia é diretora da NatureFinance no Brasil, Vanessa Duarte é secretária executiva do Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia Legal

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