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Irão e Estados Unidos dão sinais de desanuviamento e aproximação

Irão e Estados Unidos dão sinais de desanuviamento e aproximação

Sem nada em concreto para já, o preço do petróleo respondeu positivamente àquilo que parece ser um desanuviamento da tensão no Estreito de Ormuz e no Mar Vermelho. Esta terça-feira, Trump recebe Benjamin Netanyahu e Volodymyr Zelensky – ambos nos EUA para o funeral do senador Lindsey Graham.

Irão e Estados Unidos dão sinais de desanuviamento e aproximação Sem nada em concreto para já, o preço do petróleo respondeu positivamente àquilo que parece ser um desanuviamento da tensão no Estreito de Ormuz e no Mar Vermelho. Esta terça-feira, Trump recebe Benjamin Netanyahu e Volodymyr Zelensky – ambos nos EUA para o funeral do senador Lindsey Graham. FILE PHOTO: U.S. President Donald Trump and Israeli Prime Minister Benjamin Netanyahu shake hands after Trump’s address at the Israel Museum in Jerusalem May 23, 2017. REUTERS/Ronen Zvulun/File Photo Ao cabo de três noites sem ataques norte-americanos a território iraniano, as duas partes parecem estar a ensaiar uma nova aproximação que pode resultar em novas negociações para a paz – mas a retórica mantém-se a mesma dos dois lados: o presidente norte-americano Donald Trump afirma que está preparado para aumentar a intensidade da guerra se as negociações voltarem a falhar, e Teerão reafirma que não pediu nem tréguas nem negociações. O presidente norte-americano afirmou esta segunda-feira que “estamos a ter boas conversas” com o Irão, negando que elas estão a evoluir no quadro de uma drástica redução dos stocks de munições. Dos mercados, o sinal é positivo: o petróleo brent caiu acentuadamente para um mínimo de 87,6 dólares por barril esta segunda-feira, antes de reduzir algumas perdas e ser negociado em torno dos 89,7 dólares, “à medida que sinais de alívio nas tensões geopolíticas diminuíram as preocupações sobre interrupções no fornecimento”, refere uma corretora que acompanha a evolução dos preços. Que enfatiza: “os Estados Unidos suspenderam os seus ataques contra o Irão, ao mesmo tempo que Teerão afirmou ter interrompido os ataques militares de retaliação e envolveu-se em conversas com Omã sobre o Estreito de Ormuz”. Neste contexto, “as condições de fornecimento também melhoraram após a retomada das cargas de petróleo no terminal do Consórcio do Oleoduto do Mar Cáspio, na costa do Mar Negro, na Rússia, um importante centro de exportação de petróleo do Cazaquistão que havia sido recentemente interrompido por ataques de drones ucranianos”. Apesar da queda desta segunda-feira, o brent permanece em alta de quase 25% este mês, à medida que as interrupções no fornecimento expandiram do Estreito de Ormuz para o Mar Vermelho, uma rota alternativa cada vez mais importante para as exportações de petróleo da Arábia Saudita”. Os militantes houthis, apoiados pelo Irão no Iémen, afirmaram ter atacado instalações ligadas à Saudi Aramco em Jizan e Yanbu, embora nem a Arábia Saudita nem a Aramco tenham confirmado os ataques. Na frente comum Irão-Ucrânia Entretanto, o Irão diz planear responder ao ataque ucraniano através de vias diplomáticas e militares, embora o ministro das Relações Exteriores de Teerão, Abbas Araghchi, não tenha detalhado publicamente as ações exatas em curso. O aviso surge após um drone ucraniano atingir um navio comercial iraniano no Mar Cáspio, destruindo a ponte de comando e provocando a morte de um marinheiro e ferimentos noutro. O governo de Teerão está a atuar em várias frentes em resposta ao ataque ocorrido no Mar Cáspio. O ministro Abbas Araghchi já contactou diretamente a chefe de diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas. Ao mesmo tempo, o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergey Lavrov, exigiu que o Conselho de Segurança da ONU e a comunidade internacional responsabilizem a Ucrânia. O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão convocou formalmente o encarregado de negócios da Ucrânia em Teerão para entregar uma nota de forte protesto, classificando o ato como “criminoso e hostil”. Nos bastidores da governação iraniana, referem as agências internacionais, aliados do regime defendem uma resposta armada. Fontes militares apontam para o possível uso de mísseis de longo alcance do arsenal de Teerão — como o modelo balístico Kheibar Shekan — que possuem alcance técnico suficiente para atingir o território ucraniano. Como o Mar Cáspio é uma rota comercial e logística vital para o transporte de mercadorias entre a Rússia e o Irão, Moscovo e Teerão iniciaram conversações urgentes para coordenar ações e reforçar a segurança das embarcações na região. Araghchi acusou publicamente o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky de violar a Carta da ONU e afirmou que a Ucrânia agiu “a mando de Israel” numa tentativa deliberada de arrastar a Europa para o conflito do Médio Oriente. Por sua vez, Zelensky confirmou ataques de longo alcance no Mar Cáspio, alegando que os alvos eram navios utilizados no transporte de carga e tecnologia militar fornecida pelo Irão para apoiar a invasão russa. Teerão continua a negar qualquer intervenção militar direta na guerra da Ucrânia. Netanyahu em Washington... Entretanto, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, será recebido esta terça-feira por Donald Trump em Washington. O chefe do governo hebraico confirmou que o encontro oficial na Casa Branca terá como foco principal a estratégia conjunta em relação ao Irão e a segurança regional no Médio Oriente. Mas as coisas não lhe estão a correr pelo melhor: questionado pela imprensa sobre a oposição de Israel à venda de caças F-35 à Turquia, Trump descreveu o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, como “um amigo” e disse que “ninguém me diz o que devemos ou não vender”. O encontro entre Trump e Netanyahu será o primeiro entre os dois líderes desde fevereiro, quando estavam em sintonia nos preparativos para os ataques contra o Irão. Desde então, as tensões entre ambos aumentaram, com a guerra a arrastar-se sem um desfecho conclusivo e com Trump a chamar o primeiro-ministro israelita de “louco”. “Sem mim, não haveria Israel”, vociferou algures – depois de perceber que os ataques israelitas ao Líbano estavam a colocar em causa o memorando de entendimento com o Irão. Além da agenda política, Netanyahu viajou para os Estados Unidos para participar nas cerimónias fúnebres do senador republicano Lindsey Graham, um histórico aliado de Israel falecido no início do mês. ... e Zelensky também Coincidência diplomática: o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, também se deslocou a Washington para o mesmo funeral, o que coloca ambos os líderes na capital norte-americana em simultâneo para tentar alinhar posições com a administração Trump. É que o presidente norte-americano também tem agendada uma conversa com Zelensky, numa altura em que o líder ucraniano é acusado por Teerão de esta, no Mar Cáspio, a fazer ‘trabalho sujo’ para Telavive. A reunião é vista como um momento crucial para apresentar e discutir novas propostas de paz destinadas a tentar pôr fim à guerra com a Rússia. Zelensky chega aos Estados Unidos, onde foi recebido pelo novo primeiro-ministro, o trabalhista Andy Brunham – que assim reservou para o presidente ucraniano a sua primeira visita ao número 10 de Downing Street. Um “grande amigo” que chegou a ser “um idiota” Lindsey Graham, senador de longa data e importante aliado de Donald Trump, morreu de doença repentina a 11 de julho passado, aos 71 anos. Estava no Senado desde 2003 em representação da Carolina do Sul e concorria à reeleição em novembro. Visitou a Ucrânia na semana anterior, o que levou Zelensky a escrever nas redes sociais: “Estou grato a Lindsey por reconhecer os nossos guerreiros”. Segundo a imprensa norte-americana, a sua morte foi um golpe pessoal para Trump, para quem Graham era um entusiasta político e parceiro frequente de golfe. “O senador Lindsey Graham, uma das maiores pessoas e senadores que já conheci, faleceu! Ele estava sempre a trabalhar e era um verdadeiro patriota. Lindsey fará muita falta!!!”, escreveu Trump. Foi eleito para a Câmara dos Representantes em 1994 e atuou ativamente no julgamento do impeachment a Bill Clinton em 1999. Graham construiu uma reputação de defensor de uma política externa agressiva: apoiou a guerra no Iraque e há muito que defendia uma ação militar no Irão. Opôs-se ao acordo nuclear negociado por Barack Obama e foi um dos mais fervorosos defensores de Trump no atual conflito. “Senhor presidente, o senhor não está muito atrás de Deus”, terá dito Lindsey Graham, numa intervenção que alguns terão considerado um pouco exagerada. Antes dessa ‘iluminação’ tentou uma nomeação republicana à presidência em 2016, altura em que afirmou que Trump seria um “idiota”, um “intolerante que incita o ódio racial” e “o candidato mais falho da história do Partido Republicano”. “Se nomearmos Trump, seremos destruídos... e mereceremos”, chegou a escrever nas redes sociais. Trump, por sua vez, desdenhou de Graham, chamando-o “idiota” e “insignificante”.

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