Top·

Muito além do apito

Muito além do apito

Há muito tempo o futebol brasileiro discute arbitragem da maneira errada. O debate quase sempre começa depois do erro: um pênalti não marcado, um impedimento mal assinalado, um cartão exagerado. A Copa do Mundo de 2026 mostrou que a discussão deveria começar bem antes disso. A arbitragem também produz espetáculo. Um levantamento do FolhaStats, baseado [...] O post Muito além do apito apareceu primeiro em Tribuna do Norte .

Muito além do apito Há muito tempo o futebol brasileiro discute arbitragem da maneira errada. O debate quase sempre começa depois do erro: um pênalti não marcado, um impedimento mal assinalado, um cartão exagerado. A Copa do Mundo de 2026 mostrou que a discussão deveria começar bem antes disso. A arbitragem também produz espetáculo. Um levantamento do FolhaStats, baseado em dados da Opta, revela algo impressionante. Comparando as partidas da Copa com competições disputadas antes do Mundial, o tempo gasto em três fundamentos caiu de maneira significativa. O tiro de meta, que antes consumia cerca de 22 segundos, passou para aproximadamente 12. O lateral caiu de 11 para pouco mais de 6 segundos. A reposição do goleiro despencou de cerca de 10 para apenas 4 segundos. Não estamos falando de um lance isolado. Estamos falando de dezenas de tiros de meta, dezenas de laterais e inúmeras reposições ao longo de uma partida. Quando tudo isso é somado, o resultado aparece no relógio: mais de quatro minutos de cera deixaram de existir em cada jogo. Quatro minutos. Pode parecer pouco, mas basta imaginar uma partida equilibrada para entender o tamanho dessa diferença. São quatro minutos a mais para atacar, pressionar, buscar um empate ou decidir um título. E o curioso é que nenhuma regra revolucionária foi criada. O lateral continua sendo cobrado da mesma maneira. O tiro de meta continua sendo o mesmo. O goleiro continua podendo repor a bola com as mãos. O que mudou foi quem estava segurando o apito. A FIFA reuniu, durante meses, árbitros e assistentes dos cinco continentes para um programa de preparação praticamente militar. Houve treinamentos presenciais, padronização de critérios, simulações, avaliações físicas, testes psicológicos, vídeos de interpretação e uma orientação única: impedir que o jogo fosse sequestrado pela catimba. O resultado apareceu imediatamente. Os jogadores perceberam que não haveria tolerância para quem transformasse cada reposição em um minuto de teatro. Adaptaram-se. Simples assim. Existe uma frase atribuída ao ex-chefe da arbitragem italiana Pierluigi Collina que resume bem essa filosofia: os jogadores se acostumam rapidamente com aquilo que os árbitros realmente fazem cumprir. É exatamente isso que aconteceu. A conclusão é quase desconfortável para quem acompanha o futebol brasileiro. Talvez o nosso maior problema não seja a regra. Nem o VAR. Nem os jogadores. Talvez seja a formação da arbitragem. Durante décadas, acostumamo-nos a tratar o árbitro como um personagem que aparece apenas no fim de semana. Esquecemos que ele deveria treinar como um atleta de alto rendimento. Enquanto jogadores trabalham diariamente aspectos físicos, psicológicos e táticos, muitos árbitros ainda conciliam a profissão com outras atividades e recebem poucas oportunidades de aperfeiçoamento. O resultado aparece dentro de campo. Critérios diferentes a cada rodada. Reposições demoradas. Catimba tolerada. Confusão na aplicação da vantagem. Cartões distribuídos sem coerência. Um jogo picado, nervoso e cada vez menos agradável para quem assiste. E isso fica ainda mais evidente quando descemos as divisões nacionais. ABC e América A Série D chega agora à fase em que passa a contar com o auxílio do VAR. A tecnologia é bem-vinda, evidentemente. Mas ela, sozinha, não resolve nada. O vídeo não interpreta. O vídeo não decide. O vídeo apenas mostra. Quem continua tomando a decisão é o árbitro. Se a formação continua deficiente, apenas trocamos o erro de campo pelo erro em câmera lenta. ABC e América precisam estar atentos. Há outro dado pouco comentado. A FIFA não escolhe apenas os melhores árbitros do mundo. Ela faz esses profissionais passarem meses falando a mesma língua. Um árbitro japonês toma decisões semelhantes às de um argentino, de um alemão ou de um brasileiro porque todos recebem exatamente a mesma orientação. No Brasil acontece justamente o contrário. Cada comissão de arbitragem parece interpretar determinados lances de maneira diferente. Em uma rodada há rigor contra o antijogo. Na outra, a tolerância volta. O jogador percebe essa inconsistência rapidamente e testa os limites. É por isso que a Copa deixa uma lição importante. Investir em arbitragem não significa apenas reduzir erros. Significa aumentar o tempo de bola em jogo. Significa diminuir a catimba. Significa tornar o espetáculo melhor. Significa valorizar o torcedor que paga ingresso e quem assiste pela televisão. No fim das contas, talvez o melhor reforço que um campeonato possa contratar não vista a camisa 9. Talvez ele entre em campo vestindo preto, carregando um apito e um cronômetro. Porque ficou provado nesta Copa do Mundo que uma arbitragem preparada não apenas decide melhor. Ela fazconotecer. Copa do NE A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) divulgou nesta quarta-feira (22) a tabela básica da Copa do Nordeste Masculina Sub-20 e os demais documentos técnicos: Regulamento Específico da Competição (REC) e Plano Geral de Ação (PGA). O certame será disputado por 16 agremiações e conta com todos os estados da região. O objetivo da competição é promover a integração e o desenvolvimento das categorias de base do futebol nordestino. O Grupo A é formado por Atlético Piauiense, Fortaleza, CSA e América-RN. No Grupo B, estão Falcon-SE, Ferroviário-CE, CSE e QFC-RN. O Grupo C reúne Miranda do Norte-MA, Bahia, Santa Cruz e Patos-PB. Já o Grupo D conta com São Luís, Estrela de Março-BA, Náutico e Confiança. A primeira fase será realizada em três rodadas, com datas-base previstas para os dias 8, 15 e 22 de agosto. Encerrada a primeira fase, a competição avança para as quartas de final, programadas para 29 de agosto. A decisão do torneio será realizada em dois jogos, com partidas previstas para os dias 19 e 26 de setembro. Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

This is a summary. Read the full article at the original source.

Read full article at tribunadonorte