Municípios gastaram até nove vezes mais no São João de 2026 do que em festejos nos últimos dois anos; confira no mapa BN

Os recursos aplicados nas festas juninas superaram o acumulado total gasto em todos os eventos entre 2024 e 2026.
Uma análise realizada a partir de apuração do Bahia Notícias (BN) e dados do relatório do observatório investigativo De Olho nos Ruralistas revelou que prefeituras da Bahia registraram gastos no São João superiores a todo o montante destinado a eventos e festejos públicos ao longo dos últimos dois anos. Aiquara , no Médio Rio de Contas, por exemplo, gastou 8,4 vezes mais dinheiro público no São João de 2026 do que em todo o período anterior, saindo de R$ 180 mil para R$ 1,5 milhão . A base do levantamento do BN é composta por dados do Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) e outras fontes compiladas para o "relatório Farras: como os shows com dinheiro público conectam artistas, bets, política e agronegócio", que mapeou 322 municípios baianos. Esse levantamento apontou que a Bahia liderou o país em repasses públicos para shows entre janeiro de 2024 e março de 2026, somando R$ 578 milhões. Na maior parte dos casos, são contratações das prefeituras baianas. Veja de onde surge o dinheiro: Todavia, ao comparar estes números com o painel dos festejos juninos de 2026 do Ministério Público da Bahia (MP-BA) , que abrange 367 municípios. Entre esses dados, o montante que se destinou exclusivamente ao São João na Bahia foi de R$ 712 milhões, sendo R$ 709 milhões no interior do estado (desde grandes cidades como Feira de Santana , que recebe R$ 7,61 milhões, até Valença , que recebe R$ 140 mil) + R$ 3,24 milhões na capital baiana. Confira de onde surge o dinheiro para os festejos juninos de 2026: Alguns exemplos de aumento expressivo são observados em municípios de diferentes regiões do estado. Ouriçangas , no Litoral Norte, registrou crescimento de 7,8 vezes, passando de R$ 170 mil para R$ 1,333 milhão. Na Chapada Diamantina, Mucugê apresentou uma expansão de 9,7 vezes, saindo de R$ 250 mil para R$ 2,423 milhões. Já Tanhaçu , no Sertão Produtivo, ampliou o valor em 8,5 vezes, passando de R$ 300 mil para R$ 2,5 milhões. Outros municípios também tiveram crescimento relevante no período: Ribeira do Amparo , no Semiárido Nordestino: de R$ 800 mil para R$ 4,254 milhões ( 5,3 vezes ); Muquém do São Francisco , na região do Velho Chico: de R$ 290 mil para R$ 1,543 milhão ( 5,3 vezes ); Tapiramutá , no Piemonte do Paraguaçu : de R$ 690 mil para R$ 2,678 milhões ( 3,9 vezes ); Barro Alto , na região de Irecê: de R $ 820 mil para R$ 2,241 milhões ( 2,7 vezes ); Barra , no Oeste baiano: de R$ 2,19 milhões para R$ 4,164 milhões ( 1,9 vez ); Barrocas , no território do Sisal: de R$ 620 mil para R$ 1,205 milhão ( 1,9 vez ); Amélia Rodrigues , no Portal do Sertão: de R$ 1,37 milhão para R$ 2,78 milhões ( 2,0 vezes ); Araci , no Nordeste baiano: de R$ 2,09 milhões para R$ 4,715 milhões ( 2,3 vezes ). Há também o caso da capital, que gastou cerca de R$ 3 milhões no São João com recursos do governo estadual, do governo federal e da prefeitura. No entanto, nos últimos dois anos, o investimento ultrapassou R$ 42 milhões. Isso representa uma redução esperada de aproximadamente 93% em relação ao valor investido nos anos anteriores. Em determinados municípios, os recursos aplicados nas festas juninas superaram o acumulado total gasto em todos os eventos realizados entre janeiro de 2024 e março de 2026 (período que incluía comemorações de Natal, vaquejadas, Réveillon, micaretas e outras festividades locais). Confira abaixo, em um mapa ilustrativo do BN, os dados comparativos de cada município da Bahia: Vale esclarecer que a compilação dos dados nacionais demandou seis meses de investigação técnica pelo Observatório De Olho nos Ruralistas, analisando mais de 20 mil contratos. A pesquisa evidenciou graves gargalos na transparência pública: cerca de 40% dos contratos analisados não constavam no PNCP, exigindo a checagem manual em diários oficiais e portais de tribunais de contas para obter o panorama real dos gastos das gestões municipais. O CENÁRIO NACIONAL No cenário nacional revelado pelo estudo original, a Bahia (R$ 578 milhões) e Pernambuco (R$ 573 milhões) figuram no topo dos investimentos em shows com verbas públicas, seguidos pelo Ceará (R$ 316 milhões) e Minas Gerais (R$ 192 milhões). Em âmbito nacional, o montante para os 100 artistas mais contratados ultrapassa R$ 5 bilhões, sendo R$ 3,08 bilhões concentrados em apenas 40 nomes. No território baiano, sem considerar a apuração do São João de 2026, os gêneros musicais com maior volume de contratações foram "Brega/Arrocha" e "Piseiro", enquanto o "Axé/Pagodão" registrou menor frequência de contratos públicos. Entre os maiores cachês individuais pagos no estado , destacam-se os cantores Léo Santana (contrato de até R$ 1,6 milhão), Wesley Safadão (até R$ 1,5 milhão) e Bell Marques (R$ 1,2 milhão). Eventos voltados a vaquejadas também concentraram valores elevados, com destaque para a Vaquejada de Formosa do Rio Preto — objeto de ação do MP-BA — e a de Morro do Chapéu.
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