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NANDO GROSS: O futebol entre erros e realidade

NANDO GROSS: O futebol entre erros e realidade

Confira a coluna de Nando Gross desta sexta-feira, dia 24 de julho

Quando a imprudência vira violência A entrada de Victor Gabriel em Gabriel Pec, do Cruzeiro, foi uma das cenas mais violentas que já vi em um campo de futebol. Não acredito que tenha existido a intenção de machucar o adversário, mas isso não diminui a gravidade do lance. Um jogador profissional precisa saber avaliar o risco de cada dividida. Foi uma ação totalmente imprudente. É como atravessar de carro o cruzamento da Ipiranga com a Goethe a 120 km/h, imaginando que nada vai acontecer. Talvez não aconteça. Mas, se acontecer, as consequências podem ser devastadoras. No futebol, é a mesma lógica. Quem entra daquela forma assume um risco enorme de provocar uma tragédia. A fratura de Gabriel Pec não foi apenas fruto do azar. Foi consequência direta de uma jogada irresponsável, que jamais pode ser tratada como um simples acidente de jogo. Victor Gabriel acerta perna de Gabriel Pec Foto: Reprodução de vídeo A gangorra quebrou O futebol gaúcho deixou de disputar espaço entre os grandes do país. Hoje, Internacional e Grêmio brigam por algo muito mais modesto: permanecer na Série A. É uma mudança brutal de patamar. Durante décadas, a gangorra Gre-Nal alternava títulos e crises; agora, ela parece quebrada. E quebrada do lado de baixo. A rivalidade continua enorme, mas já não esconde a perda de relevância. O protagonismo virou lembrança. A Copa enganou muita gente A pausa de quase 50 dias para a Copa do Mundo trouxe um alívio artificial. Sem jogos, também não havia derrotas. Bastou o Brasileirão recomeçar para a realidade aparecer de novo. O Grêmio fez uma partida constrangedora e perdeu para o Mirassol. O Internacional, diante do seu torcedor, caiu para o Cruzeiro sem conseguir convencer em nenhum momento. O intervalo criou uma falsa expectativa de mudança. O futebol apresentado mostrou que nada mudou. A ambição diminuiu demais O mais preocupante não são apenas os resultados. É a falta de perspectiva. Hoje, falar em título brasileiro, Copa do Brasil ou Libertadores parece um exercício de imaginação. A meta virou escapar da parte de baixo da tabela. É pouco para dois clubes que já decidiram Libertadores, revelaram grandes jogadores e ajudaram a escrever a história do futebol brasileiro. Quando a permanência na elite vira o grande objetivo da temporada, alguma coisa muito séria aconteceu. Sem gestão não existe reconstrução Não há solução rápida para esse cenário. A recuperação do futebol gaúcho não depende de uma contratação ou de uma troca de treinador. Ela passa por uma mudança profunda na forma como os clubes são administrados. É preciso abandonar o improviso, o personalismo e o amadorismo que ainda ocupam espaço nas decisões. Enquanto isso não acontecer, Internacional e Grêmio continuarão comemorando vitórias isoladas e tratando a sobrevivência como se fosse uma conquista. Isso está muito abaixo da história dos dois clubes. A Argentina sai menor A Argentina sai desta Copa do Mundo muito menor do que entrou. E isso também vale para Lionel Messi. Um gênio da bola, sem qualquer discussão, mas que, nesta Copa, protagonizou atitudes incompatíveis com o espírito esportivo. A história da Argentina em Mundiais, aliás, registra episódios que estão longe de ser motivo de orgulho para quem ama o futebol, como o título de 1978. O futebol nunca foi feito para ser vencido a qualquer preço. Quando isso acontece, perde o próprio esporte.

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