"O maior problema da saúde não é falta de informação. É o excesso dela"

Pedro Gouveia, Business Unit Head Consumer Healthcare da Angelini Pharma Portugal, assina este artigo de opinião que assinala o Dia Internacional do Autocuidado desta sexta-feira, 24 de julho.
“O maior problema da saúde moderna talvez já não seja a falta de informação. É o excesso dela. Nunca tivemos tanto acesso à informação. Nunca tivemos tantas respostas. E, paradoxalmente, nunca foi tão difícil saber em quem confiar. São três da manhã. Uma febre que não baixa. Uma dor que não reconhecemos. Antes mesmo de acender a luz, pegamos no telemóvel. Em poucos segundos surgem dezenas de hipóteses, centenas de opiniões e os cenários mais improváveis. Procurávamos tranquilidade. Encontrámos ansiedade. Leia Também: Tome nota! 7 coisas que nunca deve lavar com água fria na máquina Vivemos numa época em que confundimos acesso à informação com capacidade para decidir. Mas não são a mesma coisa. Talvez o maior desafio do autocuidado já não seja ensinar as pessoas a cuidar de si. Talvez seja ajudá-las a decidir em quem confiar. Os dados mostram que esta mudança já aconteceu. O estudo “O Papel do Autocuidado em Portugal”, desenvolvido pela 2Logical para a APIFARMA, revela que mais de metade dos portugueses recorre ao autocuidado como primeira resposta perante um problema de saúde ligeiro e que cerca de 79% dessas situações ficam resolvidas sem necessidade de intervenção clínica posterior. Os portugueses já mudaram. Talvez tenha chegado o momento de o setor da saúde deixar de responder às perguntas de ontem e começar a preparar as respostas de amanhã. Hoje, praticamente qualquer produto de saúde pode ser adquirido online. Qualquer sintoma pode ser pesquisado em segundos. A inteligência artificial consegue responder em linguagem simples e acessível. Tudo parece estar à distância de um clique. Mas há uma coisa que continua indisponível para download: confiança. É precisamente aqui que a farmácia comunitária reforça a sua relevância. Não apenas porque disponibiliza medicamentos ou produtos de saúde, mas porque ajuda a transformar informação em contexto, contexto em decisão e decisão em confiança. O farmacêutico continua a ser um dos profissionais de saúde mais acessíveis e, muitas vezes, o primeiro a distinguir aquilo que pode ser acompanhado com segurança daquilo que exige avaliação médica. Num sistema de saúde cada vez mais pressionado, este papel deixa de ser apenas importante. Torna-se estratégico. É esta a responsabilidade de todos os que trabalhamos na promoção do autocuidado: não acrescentar mais ruído, mas contribuir para decisões mais informadas, mais conscientes e mais confiantes. Na Angelini Consumer Healthcare acreditamos que promover o autocuidado significa precisamente isso: criar condições para que cada pessoa possa cuidar melhor de si, sempre com o apoio e a orientação dos profissionais de saúde. É esse o compromisso que traduzimos diariamente na nossa missão: Make Self Care Happen. O futuro do autocuidado não será decidido por quem disponibiliza mais informação. Será decidido por quem conseguir gerar mais confiança. Porque, no fim, a verdadeira inovação em saúde não é saber mais. É ajudar as pessoas a decidir melhor.”
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