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O que é o café canephora, o grão que fez a produção do Acre disparar no país?

O que é o café canephora, o grão que fez a produção do Acre disparar no país?

O café produzido no Acre deixou de ser apenas uma promessa para se consolidar como uma das principais apostas do agronegócio estadual. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e...

O café produzido no Acre deixou de ser apenas uma promessa para se consolidar como uma das principais apostas do agronegócio estadual. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a produção de café canephora cresceu 5,1% em relação ao mesmo período de 2025, desempenho que colocou o estado entre os cinco maiores avanços registrados no país. Segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), a colheita passou de 6.632 toneladas para 6.969 toneladas em 2026, resultado que reforça a expansão de uma cadeia produtiva que vem ganhando força nos últimos anos e atraindo investimentos tanto do setor público quanto da iniciativa privada. O crescimento do café foi um dos principais responsáveis pelo bom desempenho da agricultura acreana em 2026. O estado deve alcançar uma produção de 205,5 mil toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas, impulsionada também pelo avanço do milho e da soja. VEJA MAIS: Acre tem um dos maiores índices de pequenos cafeicultores do Brasil A evolução da cafeicultura chama atenção porque ocorre, principalmente, nas pequenas propriedades rurais. Dados do Sebrae apontam que 83% dos produtores de café do Acre cultivam áreas com menos de 20 hectares, demonstrando que o crescimento da atividade está diretamente ligado à agricultura familiar. Nos últimos anos, o café canephora passou a ocupar espaço de destaque na política agrícola estadual. A aposta em mudas clonais de alta produtividade, assistência técnica e melhoria da qualidade do grão permitiu elevar a produtividade das lavouras e abrir novos mercados para os produtores acreanos. O bom momento vivido pelo estado acompanha um cenário favorável para o setor em todo o Brasil. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a safra nacional de café deverá ultrapassar 66 milhões de sacas em 2026, podendo atingir um novo recorde, impulsionada justamente pelas variedades Arábica e Canephora. Além do café, outras culturas também apresentaram resultados positivos no Acre. O milho registrou crescimento de 11,4% em comparação com o ano passado, enquanto a soja avançou 8,5%. A mandioca também ampliou sua produção e segue como uma das principais culturas da agricultura familiar acreana. Apesar dos resultados positivos, o levantamento do IBGE aponta retração em algumas culturas tradicionais, como arroz, feijão, banana e laranja. Mesmo assim, o avanço do café canephora reforça uma mudança no perfil da produção agrícola acreana. O grão vem se consolidando como um dos motores do agronegócio local, ampliando a renda de pequenos produtores e colocando o Acre em evidência no cenário nacional da cafeicultura. Café canephora: a espécie que ganhou espaço na cafeicultura amazônica O café canephora, conhecido popularmente como robusta ou conilon, é uma das principais espécies cultivadas no mundo ao lado do café arábica. Mais resistente às altas temperaturas, doenças e condições climáticas adversas, o canephora encontrou na Amazônia um ambiente favorável para seu desenvolvimento. Com maior concentração de cafeína, sabor mais intenso e maior corpo na xícara, a espécie deixou de ser vista apenas como matéria-prima para misturas e passou a conquistar espaço no mercado de cafés especiais. No Brasil, variedades como o conilon e o robusta amazônico têm recebido investimentos em tecnologia, genética e manejo para elevar a qualidade dos grãos. No Acre, a cultura vem despertando o interesse de produtores pela adaptação ao clima da região e pelo potencial de geração de renda, fortalecendo uma nova fase da cafeicultura no estado.

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