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“Pantanal de desinformação”: Diretora da Escola Secundária Avelar Brotero revela drama dos alunos à espera das notas

“Pantanal de desinformação”: Diretora da Escola Secundária Avelar Brotero revela drama dos alunos à espera das notas

A diretora da Escola Secundária Avelar Brotero, em Coimbra, descreve uma situação sem precedentes na divulgação dos resultados dos exames...

“Pantanal de desinformação”: Diretora da Escola Secundária Avelar Brotero revela drama dos alunos à espera das notas A diretora da Escola Secundária Avelar Brotero, em Coimbra, descreve uma situação sem precedentes na divulgação dos resultados dos exames nacionais do 12.o ano e admite receios de que alguns alunos possam acabar prejudicados no processo. PUBLICIDADE Numa altura em que arrancaram as candidaturas ao ensino superior e os estudantes procuram obter a ficha ENES e apresentar pedidos de reapreciação das provas, a responsável garante que a escola tem feito todos os esforços para minimizar os impactos da polémica. PUBLICIDADE PUBLICIDADE “Tem sido um caos e a resolução do caos tem contado sempre com a boa vontade e o empenho e a solidariedade dos professores”, afirmou a diretora, destacando o esforço das equipas escolares. Segundo explicou, os docentes trabalharam durante vários dias para garantir respostas aos alunos. “Trabalhámos sexta-feira até à meia-noite, sábado o dia todo, domingo o dia todo”, revelou. Na Avelar Brotero, a escola decidiu enviar a todos os alunos, “sem exceção”, as provas digitalizadas em PDF e as respetivas grelhas de classificação, permitindo que os estudantes analisassem os exames antes de decidirem se avançavam com pedidos de reapreciação. “Achámos que a melhor solução para ajudar os nossos alunos era disponibilizá-los com a celeridade que conseguimos”, explicou, lembrando que os pedidos têm de ser feitos num prazo reduzido de dois dias. Com 42 anos de carreira como professora, a diretora admite que nunca viveu uma situação semelhante. “Eu já sei qual é a pergunta que segue: nunca na minha vida assisti a uma coisa destas”, afirmou, quando questionada sobre a dimensão dos problemas registados este ano. Apesar de esperar que a maioria dos alunos não seja prejudicada, admite dúvidas sobre alguns casos. “Eu espero que nenhum aluno saia prejudicado, mas, sinceramente, tenho dúvidas”, confessou. A responsável considera que está instalado um cenário de grande incerteza. “Eu acho que está instalado caos”, disse, acrescentando que acredita que os mecanismos de correção e reapreciação poderão repor a justiça. Um dos problemas identificados prende-se com alterações de classificações depois de as primeiras pautas terem sido divulgadas. A diretora deu como exemplo a disciplina de Físico-Química. “Hoje de manhã recebi pautas de Física ou Química que em princípio teriam alterações de notas. As pautas vieram exatamente iguais, logo a seguir recebo outro ficheiro com notas alteradas.” A situação obrigou a escola a contactar diretamente os estudantes afetados. “Os alunos que vieram de manhã ver as notas, duas horas depois tiveram a sua nota alterada. Nós vamos agora telefonar a cada um desses alunos cuja nota foi alterada”, explicou. Para a diretora, o maior problema é a instabilidade da informação transmitida aos alunos. “Nós não podemos deixar os alunos à deriva neste, eu vou-lhe chamar mesmo ‘Pantanal’, peço desculpa, de desinformação.” A responsável sublinha que esta incerteza tem um impacto emocional significativo nos jovens. “De repente já têm uma nota na cabeça, estão a pensar em recorrer ou não, ou em ir à segunda fase ou não, e a nota muda.” Questionada sobre se os alunos podem confiar nas classificações divulgadas, a diretora foi clara: “Não, eu não confio”. Mas esclareceu que a desconfiança não é dirigida aos mecanismos de avaliação, mas ao processo vivido este ano. “Não confio no que está a acontecer porque de facto há muitos erros que têm sido identificados.” Ainda assim, deixou uma mensagem aos estudantes: “Calma, vamos ver o que é possível fazer e vamos tentar ver como é que se resolve o problema.” A diretora defende que devem existir mecanismos capazes de garantir justiça e igualdade. “Tem que haver mecanismos de reavaliação de cada uma das situações, para que os alunos tenham a sua vida normalizada.” Com vários alunos a contestarem classificações que consideram inesperadas, a responsável acredita que o número de pedidos de reapreciação vai aumentar significativamente. “Estou convencida que no caos instalado o número de reapreciações vai ser muito maior”, afirmou. No entanto, deixou um alerta: os alunos devem ponderar antes de avançar, já que a reapreciação pode resultar numa descida da nota. “Os pedidos de reapreciação não podem ser feitos gratuitamente só porque sim. As pessoas têm que pensar bem se devem ou não pedir reapreciações.” Na Escola Secundária Avelar Brotero, as filas junto aos serviços da escola refletem a pressão vivida pelos estudantes: uns procuram a reapreciação das provas, outros tentam garantir a documentação necessária para concorrer ao ensino superior. Para a diretora, a prioridade é devolver aos alunos a confiança num processo que descreve como “muito difícil” e “entrópico”, numa fase decisiva das suas vidas. PUBLICIDADE PUBLICIDADE

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