Por que volta da Estação Espacial à Terra daqui a 5 anos já gera polêmica

Por que volta da Estação Espacial à Terra daqui a 5 anos já gera polêmica
Por que volta da Estação Espacial à Terra daqui a 5 anos já gera polêmica Resumo 30 anos atrás, quando foi lançada ao espaço, a então revolucionária Estação Espacial Internacional - ISS, que permitiria aos astronautas passar longos períodos na órbita terrestre com um nível de conforto não existente nas naves anteriores, causou furor. Agora, já em vias de ser aposentada e trazida de volta à Terra, após três décadas no espaço, a super espaçonave voltou a dar o que falar. Mas por outro motivo, bem mais polêmico e oposto àquele que marcou o entusiasmo do seu lançamento: o seu descarte, que está previsto para acontecer no fundo do mar. Embora isso só deva acontecer daqui a cinco anos, no início de 2031, a operação de retorno da Estação Espacial Internacional ao nosso planeta já começou, por meio de um cronograma elaborado pela Nasa e anunciado recentemente. Em 2028, a ISS começará o seu caminho de volta à Terra, com as primeiras manobras de reentrada no espaço terrestre. No ano seguinte, 2029, a Nasa lançará uma nave especial, chamada de "veículo de desorbitação", que irá se acoplar à ISS e a trará de volta ao planeta, até um ponto específico no Oceano Pacífico, onde o conjunto estação espacial e nave de condução cairão no mar e afundarão, dois anos depois. E é esta questão — o descarte das duas naves no mar — que está dando o que falar, especialmente entre os ambientalistas. "Mar não é lixeira" Eles alegam que o mar não é lixeira para entulho espacial, e acusam os Estados Unidos, a quem a Estação Espacial pertence, de estar "varrendo a sujeira" para o quintal dos vizinhos, já que o descarte das duas naves irá acontecer em um ponto do mar bem distante do território americano — na verdade, longe de tudo, bem no meio do Oceano Pacífico, mas ainda assim com eventuais impactos em outras regiões, segundo a ONG Ocean Foundation, que lidera os protestos. A lei diz que quando um detrito espacial cai no território de outra nação ou danifica propriedades, o país que lançou o objeto deve indenizar o outro. Mas não existe esse tipo de obrigação no caso das chamadas 'águas internacionais', áreas de oceano que não pertencem a nenhum país. Nelas, os Estados Unidos não incorrem na obrigação legal de pagar pela limpeza ou remediação ambiental Mark Spalding, presidente da Ocean Foundation "Nasa precisa divulgar" Spalding também alega que a decisão de afundar lixo espacial no mar exige "uma análise mais profunda sobre os riscos e impactos ambientais", e que o procedimento da Nasa — que também é regularmente utilizado por países como a Rússia e a China — "expõe falhas preocupantes sobre a destinação adequada de detritos espaciais". Nós sabemos que nem tudo que vem do espaço se desintegra na reentrada da órbita terrestre, como os componentes mais densos das grandes naves espaciais, por exemplo Mark Spalding "Por isso, antes de programar o afundamento da Estação Espacial no mar, a Nasa deveria divulgar publicamente todos os componentes que não se desintegrarão, e irão parar no fundo do mar. Com quais materiais eles foram feitos? Qual tipo de contaminação podem causar ao meio ambiente marinho? Os habitantes do planeta têm o direito de saber isso", diz Spalding, que garante que manterá os protestos até que estes pontos sejam esclarecidos, e completa: Ainda há bastante tempo para a Nasa fazer isso, para o bem da sociedade mundial O ponto X da questão O que preocupa os ambientalistas é que o descarte de naves espaciais que não servem mais — e que não foram feitas para pousar feito aviões — sempre foi feito em uma área específica do mar praticamente impossível de monitorar, muito menos de fiscalizar: o chamado Ponto Nemo, que fica na área mais remota e equidistante de qualquer terra firme do Oceano Pacífico — que, por sua vez, é o maior oceano do mundo. É lá que praticamente todos os satélites e naves espaciais desativadas caem ao serem trazidos de volta para o planeta, e são descartados debaixo d'água, em total segurança — pelo menos para os habitantes mais próximos, que estão a milhares de quilômetros de distância, qualquer que seja a direção. Mas o mesmo não pode ser dito sobre o meio ambiente marinho, que é um só para todo o planeta. Curiosidades do "cemitério espacial" Por conta do seu completo isolamento, o Ponto Nemo é o maior cemitério espacial do planeta. Foi ali que foi descartada a maior estação espacial do século passado, a russa Mir, de 140 toneladas, ao ser trazida de volta à Terra, em 2001, bem como todas as naves anteriores do programa espacial soviético Salyut. No total, mais de 300 objetos espaciais já foram afundados no Ponto Nemo, que, entre outras curiosidades, só existe nos mapas e é o ponto mais distante que alguém pode estar no meio de um oceano, que pode ser conferido clicando aqui. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.
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