Porto Seguro na lista: por que 3 cidades entraram em ranking da violência

Porto Seguro (BA) na lista: por que três cidades entraram em ranking da violência
Resumo Porto Seguro (BA), Eunápolis (BA) e Santa Rita (PB) passaram a integrar a lista das dez cidades mais violentas do Brasil. Os dados são do 20o Anuário Brasileiro de Segurança Pública publicado nesta quinta-feira (23). Estas cidades não apareciam no ranking da edição anterior do Anuário. O que aconteceu Porto Seguro, um dos principais destinos turísticos do Brasil, apareceu na quarta posição da lista. Eunápolis alcançou a segunda posição e Santa Rita aparece na nona colocação. O ranking considera os municípios com as maiores taxas de MVI (Mortes Violentas Intencionais) do país. Eunápolis e Santa Rita tiveram os saltos mais expressivos. As duas cidades não figuravam sequer entre as 20 maiores taxas de mortes violentas intencionais no levantamento anterior, referente ao ano de 2024. As novas cidades na lista substituíram Camaçari (BA), São Lourenço da Mata (PE) e Feira de Santana (BA). Os três municípios estavam entre os dez primeiros no ranking anterior, mas deixaram o grupo no levantamento mais recente, que considera as taxas de 2025. A Bahia concentra metade das cidades presentes no ranking: Eunápolis, Porto Seguro, Simões Filho, Jequié e Juazeiro. Todas as dez cidades mais violentas são do Nordeste. O Brasil encerrou 2025 com taxa de 19,1 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes. Esta é a menor taxa desde 2012 e 8,2% inferior à registrada em 2024. Porto Seguro: turismo, rotas do tráfico e violência policial A posição geográfica de Porto Seguro é um dos fatores apontados pelo levantamento para explicar a entrada da cidade no ranking. O município tem aeroporto internacional, é cortado pela BR-367 e fica próximo a corredores que levam ao porto de cargas de Ilhéus (BA). Segundo o anuário, essa infraestrutura torna a região estratégica para grupos criminosos, que podem utilizar rodovias, aeroportos e portos como rotas para transportar e escoar drogas, inclusive para o exterior. A disputa pelo controle desses caminhos e do mercado local do tráfico contribui para elevar a violência. O intenso fluxo turístico também cria um mercado relevante para a venda de drogas no varejo. A população presente na cidade aumenta significativamente em feriados e temporadas de férias, ampliando a demanda por atividades legais e ilegais. O principal fator para a posição de Porto Seguro, entretanto, foi a letalidade policial. Das 130 mortes violentas registradas no município em 2025, 59 ocorreram durante intervenções policiais. Isso significa que as mortes provocadas por agentes do Estado representaram aproximadamente 45% de toda a violência letal da cidade. Porto Seguro teve taxa de 32,3 mortes por intervenção policial para cada 100 mil habitantes, a maior do país no levantamento. Eunápolis e Santa Rita têm aumento e aparecem na lista Eunápolis (BA) passou diretamente para a segunda posição, com taxa de 85,1 mortes por 100 mil habitantes. A cidade registrou 103 mortes violentas intencionais em 2025. Desse total, 36 foram decorrentes de intervenções policiais, o equivalente a cerca de 35%. A taxa de letalidade policial chegou a 29,7 por 100 mil habitantes, a segunda maior do país, atrás apenas de Porto Seguro. Além do peso das operações policiais, o município, de 113 mil habitantes, ocupa uma posição estratégica no extremo sul da Bahia. Eunápolis é atravessada pelas BRs 101 e 367 e funciona como ponto de ligação entre diferentes áreas do estado. O aumento das mortes está relacionado ainda à intensificação dos conflitos entre facções criminosas. A expansão de grupos originários do Sudeste, como o Comando Vermelho e o PCC, alterou a organização dos mercados ilegais no Nordeste e ampliou as disputas com organizações locais. Santa Rita (PB), por sua vez, chegou à nona posição, com taxa de 60,9 mortes por 100 mil habitantes. A cidade, de 160 mil habitantes, fica na região metropolitana de João Pessoa, a cerca de 35 quilômetros do Porto de Cabedelo, e é atravessada pelas BRs 101 e 230. A combinação entre rodovias nacionais, proximidade com um porto e ligação com outros estados transforma o município em uma área estratégica para a circulação de cargas, inclusive produtos ilegais. O avanço da violência estaria relacionado principalmente às disputas territoriais entre grupos criminosos pelo controle do tráfico. Diferentemente de Porto Seguro e Eunápolis, o peso das mortes por intervenção policial não aparece como o principal elemento para explicar a entrada de Santa Rita no ranking. As prefeituras de Porto Seguro, Eunápolis e Santa Rita foram procuradas pela reportagem para comentar a entrada dos municípios no ranking e informar quais medidas locais de prevenção à violência vêm sendo adotadas. O UOL também buscou os governos estaduais da Bahia e da Paraíba, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto. O que entra na taxa de mortes violentas? O indicador de MVI (Mortes Violentas Intencionais) é mais amplo do que o número de homicídios. Ele reúne homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, que são roubos seguidos de morte, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenção policial. A taxa é calculada para cada grupo de 100 mil habitantes. Isso permite comparar municípios com populações diferentes, sem considerar apenas o número absoluto de vítimas. Veja o ranking de 2024 (dados do Anuário de 2025) - Maranguape (CE) - Jequié (BA) - Juazeiro (BA) - Camaçari (BA) - Cabo de Santo Agostinho (PE) - São Lourenço da Mata (PE) - Simões Filho (BA) - Caucaia (CE) - Maracanaú (CE) - Feira de Santana (BA) Veja o ranking de 2025 (dados do Anuário de 2026) - Maranguape (CE) - Eunápolis (BA) - Maracanaú (CE) - Porto Seguro (BA) - Simões Filho (BA) - Jequié (BA) - Caucaia (CE) - Cabo de Santo Agostinho (PE) - Santa Rita (PB) - Juazeiro (BA) Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.
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