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Startup capixaba transforma dados do território em inteligência para prevenir riscos

Startup capixaba transforma dados do território em inteligência para prevenir riscos

“A terra fala, nós traduzimos” é com essa frase que Juliana, fundadora da GeoRemote, define o propósito da startup ambiental capixaba que vem construindo uma solução de inteligência territorial para transformar dados geoespaciais em decisões mais seguras para empresas, produtores rurais e poder público. A startup foi finalista do Prêmio Impactos Positivos 2026 e participante [...]

“A terra fala, nós traduzimos” é com essa frase que Juliana, fundadora da GeoRemote, define o propósito da startup ambiental capixaba que vem construindo uma solução de inteligência territorial para transformar dados geoespaciais em decisões mais seguras para empresas, produtores rurais e poder público. A startup foi finalista do Prêmio Impactos Positivos 2026 e participante do Batalha das Startups da Record News. A ideia nasceu de um cruzamento improvável. Com experiência na área de Doenças Infecciosas, a fundadora percebeu que dados geográficos e dados de saúde raramente dialogavam e que a mesma lógica de previsão de riscos biológicos poderia ser aplicada ao território. “Se conseguimos prever riscos biológicos a partir de dados, por que não aplicar essa mesma lógica ao espaço físico?”, questiona Juliana. Foi desse raciocínio que nasceu a GeoRemote: uma empresa que integra imagens de satélite, drones, uso e cobertura do solo, relevo, declividade, hidrografia, vegetação, clima, precipitação, dados geológicos e bases oficiais para gerar diagnósticos completos sobre riscos ambientais, antes que eles se transformem em acidentes, paralisações ou passivos financeiros. Para o agronegócio capixaba, a aplicação é direta e crescente. A solução da GeoRemote permite ao produtor rural conhecer profundamente sua propriedade, identificar riscos ambientais que podem impactar a produção, analisar as características do terreno, planejar áreas para cultivo, recuperação e reflorestamento, e apoiar a regularização ambiental com análise do CAR, identificação de APP e Reserva Legal. Mas o que está transformando a demanda por esse tipo de solução no campo capixaba é o EUDR (Regulamento Europeu de Desmatamento), que passou a exigir que produtos como café e cacau comprovem que não estão associados ao desmatamento para acessar o mercado europeu. “O EUDR aumenta a necessidade de comprovar a origem dos produtos. Isso faz com que informações geoespaciais deixem de ser apenas um diferencial e passem a ser uma exigência de mercado”, afirma a fundadora. O Espírito Santo exporta café para mais de 50 países, incluindo toda a União Europeia, e é o maior exportador de conilon do Brasil. A rastreabilidade geoespacial que o EUDR exige não é apenas uma burocracia a ser cumprida: é o tipo de dado que diferencia o café capixaba num mercado em que todos os concorrentes vão precisar apresentar a mesma documentação. Quem tiver a inteligência territorial organizada antes chega ao comprador europeu com vantagem e é exatamente esse posicionamento que a GeoRemote está ajudando a construir. A startup atua também em infraestrutura, energia, saneamento, mineração, bioeconomia e poder público, setores que têm em comum a dependência do território para tomar decisões e a necessidade de reduzir riscos e atender exigências ambientais. “Todos esses segmentos precisam planejar suas operações com mais segurança e eficiência. A GeoRemote transforma dados geoespaciais em inteligência para apoiar exatamente esse processo”, explica Juliana. Na saúde, a inteligência territorial apoia a vigilância epidemiológica e o monitoramento da relação entre ambiente e doenças, ampliando o escopo da startup para além do que o nome sugere. “O principal desafio é transformar uma tecnologia altamente técnica em uma solução que o mercado compreenda e esteja disposto a contratar. Empreender na área ambiental também significa educar o mercado sobre o valor da prevenção, que muitas vezes só é percebido depois que o problema acontece”, reconhece a fundadora. Ser finalista do Prêmio Impactos Positivos 2026 é, para ela, uma confirmação de que o caminho está certo. “Para uma startup em fase inicial, isso fortalece nossa credibilidade, amplia conexões e mostra que é possível desenvolver soluções inovadoras que contribuem para reduzir riscos, proteger vidas e transformar realidades.” O próximo passo da GeoRemote é consolidar a atuação no ES, levando inteligência territorial para agronegócio, infraestrutura, energia e poder público capixabas, enquanto busca aceleração e editais de inovação para crescer com estrutura. O Batalha das Startups abre uma janela de visibilidade nacional para uma solução que foi desenvolvida aqui e que resolve um problema que o campo capixaba vai precisar enfrentar com mais urgência nos próximos meses.

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