Stock de crédito só cresceu 1% no primeiro semestre para 8.987 mil milhões Kz

Apesar da trajectória crescente do stock em kwanzas, que atingiu máximos históricos, o cenário é bastante diferente quando analisado em dólares. Hoje, o montante equivale apenas a 9,9 mil milhões USD, ou seja, aproximadamente um terço do pico de 32,6 mil milhões USD registado em 2014.
Stock de crédito bancário à economia passou de 8.903 mil milhõe Kz, Dezembro, para 8.987 mil milhões Kz no final do primeiro semestre deste ano, o que representa um crescimento de apenas 1% nos primeiros seis meses do ano, de acordo com cálculos do Expansão com base nos dados do Banco Nacional de Angola (BNA). Contas feitas, o aumento foi de 84,3 mil milhões Kz, com os particulares e o comércio a concentrarem a maior fatia. No entanto, quando comparado com o primeiro semestre do ano passado, o crescimento é mais expressivo. Em termos homólogos, o stock de crédito aumentou 12% face a 2025. Esta evolução positiva, sobretudo na comparação homóloga, explica-se pela descida das taxas de juro verificada desde 2025, na sequência do alívio da política monetária em resposta à trajectória de desaceleração da inflação, que ronda actualmente os 10,1%. Para se ter uma ideia, o banco central fez o maior ciclo consecutivo de desaperto da política monetária desde que há registos, com cinco cortes consecutivos da taxa directora, iniciados em Novembro de 2025, levando-a para níveis pré-pandemia. A redução da taxa directora acabou por fazer descer a Luibor, a taxa interbancária de referência, reduzindo, por sua vez, o custo do crédito para famílias e empresas. A esta conjuntura junta-se ainda a estabilização da taxa de câmbio face ao dólar. Embora o banco central continue a defender que a taxa de câmbio resulta das forças do mercado, na prática tem evitado uma nova desvalorização do kwanza, apesar da persistência de um backlog no mercado cambial. Num regime de câmbio plenamente flexível, esse desequilíbrio tenderia a traduzir-se numa depreciação da moeda nacional. Apesar da trajectória crescente stock de crédito à economia em kwanzas, que e atingiu máximos históricos, o cenário é bastante diferente quando analisado em dólares. Longe vão os níveis observados entre 2013 e 2014, período em que o stock de crédito ultrapassava os 30 mil milhões USD. Actualmente, o montante equivale a cerca de 9,9 mil milhões USD, ou seja, aproximadamente um terço do pico de 32,6 mil milhões USD registado em 2014. Assim, o crédito continua abaixo do necessário para responder às necessidades da economia, já que os bancos mantêm uma clara preferência pelo financiamento do Estado em detrimento da concessão de crédito ao sector privado, num fenómeno conhecido como crowding out. O facto é que o Estado oferece um risco reduzido, permitindo à banca manter níveis elevados de rentabilidade sem necessidade de assumir os riscos inerentes ao financiamento das empresas, cuja rentabilidade é frequentemente afectada pelo fraco ambiente de negócios. Ou seja, o capital dos bancos é suficientemente remunerado através da dívida pública, enquanto a percepção de risco associada ao financiamento da actividade privada continua elevada para a maior parte dos projectos. Com a descida da taxa de juros, entanto, é de prever que este equilíbrio seja alterado progressivamente. Particulares lideram crédito Até ao final de Junho, o stock de crédito aos particulares, essencialmente crédito ao consumo, foi o segmento que mais contribuiu para este crescimento. Segundo os balanços da banca...
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