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Teste para o Plano Clima já começou

Teste para o Plano Clima já começou

As projeções para o retorno do fenômeno El Niño ao longo do segundo semestre de 2026 chegam num momento distinto para o Brasil, que dispõe de mais informação científica, sistemas de monitoramento mais sofisticados e uma agenda climática mais estruturada. O país também começa a implementar o Plano Clima, principal estratégia nacional para orientar as políticas de mitigação e adaptação na próxima década. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.

A questão é se o Brasil conseguirá transformar planejamento em capacidade de resposta ao El Niño Atualizado As projeções para o retorno do fenômeno El Niño ao longo do segundo semestre de 2026 chegam num momento distinto para o Brasil, que dispõe de mais informação científica, sistemas de monitoramento mais sofisticados e uma agenda climática mais estruturada. O país também começa a implementar o Plano Clima, principal estratégia nacional para orientar as políticas de mitigação e adaptação na próxima década. - Tráfico de influência: Mendonça autoriza investigação sobre Lulinha após PF citar acesso ao gabinete presidencial A questão já não é se o fenômeno produzirá impactos relevantes, mas se o Brasil conseguirá transformar planejamento em capacidade de resposta. O primeiro grande teste do Plano Clima não será numa conferência, mas na vida real, na sua capacidade de reduzir perdas humanas, sociais e econômicas no próximo ciclo de eventos extremos, como o vendaval de quarta-feira em São Paulo e Rio. Num planeta mais quente, El Niño não é apenas uma oscilação natural do sistema climático. O aquecimento global intensifica seus efeitos, potencializa secas, ondas de calor, incêndios florestais e precipitação extrema. Seus impactos recaem sobre infraestrutura, produção agropecuária, geração hidrelétrica, logística, abastecimento de água, saúde pública e mercado de seguros. São todos ativos centrais para a competitividade da economia brasileira. A adaptação deixa de ser só agenda ambiental para integrar a política econômica, a gestão do risco fiscal e a estratégia nacional de desenvolvimento. Dados ambientais consolidados no Anuário Estadual de Mudanças Climáticas, publicação desenvolvida pelo Centro Brasil no Clima, com apoio do Instituto Clima e Sociedade e do Instituto Itaúsa, reforçam que o desafio climático tornou-se mais complexo. Em 2024, o desmatamento caiu 32,4%, mas as queimadas cresceram 79,3%, atingindo praticamente todos os biomas. O contraste evidencia que controlar a supressão da vegetação continua sendo essencial, mas já não basta. Num cenário de eventos extremos mais frequentes, adaptação significa fortalecer sistemas de alerta precoce, planejamento territorial e coordenação entre União, estados e municípios. É nesse contexto que o Plano Clima assume papel estratégico. Elaborado com a participação de 25 ministérios, o plano organiza a política climática nacional em dois grandes eixos — mitigação e adaptação — e estabelece centenas de metas e ações voltadas para cidades, infraestrutura, agricultura, recursos hídricos, biodiversidade, saúde e povos e comunidades tradicionais. Seu diferencial está em reconhecer que adaptação não pode mais ser tratada como resposta emergencial, mas deve ser política permanente de desenvolvimento. A implementação dessa agenda dependerá da capacidade de mobilizar investimentos. O país dispõe de instrumentos como Fundo Clima, Fundo Amazônia, linhas de financiamento do BNDES e recursos oferecidos por instituições como Banco Mundial, BID e CAF. O acesso a esses mecanismos depende cada vez mais da existência de projetos estruturados, capacidade técnica e boa governança. Fortalecer instituições estaduais tornou-se condição para ampliar investimentos em infraestrutura resiliente e adaptação climática. O debate sobre adaptação já não diz respeito apenas à política ambiental. Passa por segurança energética, competitividade da economia, previsibilidade dos investimentos e sustentabilidade das contas públicas. A diferença entre reagir e se antecipar dependerá menos da intensidade do Niño e mais da capacidade das instituições de transformar ciência, planejamento e financiamento em políticas públicas efetivas. Se o Plano Clima pretende inaugurar uma nova etapa da política climática brasileira, seu primeiro grande teste já começou. *Carmynie Xavier é especialista em Política Climática e Legislativo do Instituto Clima e Sociedade

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