Tomorrowland dança ao som português para famílias que passam fronteiras

Do house ao techno, o primeiro fim de semana do Tomorrowland faz-se ao som português, com sete artistas nacionais a atuarem em diferentes palcos para milhares de festivaleiros portugueses que atravessaram fronteiras para viver o festival em família.
Entre leques, bandeiras e camisolas de Portugal, o Tomorrowland é cada vez mais um espaço colorido a verde, vermelho e amarelo, com famílias portuguesas a percorrerem vários quilómetros e a investirem milhares de euros para viverem juntas um dos maiores festivais de música eletrónica do mundo. É o caso de Cláudio, de Lisboa, que conseguiu convencer a mulher, três irmãs e mais familiares, num total de oito, a rumarem à cidade belga de Boom este ano. "Foi uma promessa que fiz - tinha de vir ao Tomorrowland antes de fazer 40 anos e aqui estamos", conta o português à agência Lusa no recinto de De Schorre, onde hoje termina o primeiro fim de semana do festival. Pais, filhos, irmãos, parceiros e outros familiares portugueses encontram-se em Boom para vários dias de música, numa experiência que começa muitas vezes muito antes da entrada no recinto: com meses de planeamento, poupança e expectativa para concretizar um sonho partilhado. "Para todos [os oito], fica para aí a 16.000 euros, mas está a ser incrível", acrescenta Cláudio. Enquanto assistem à atuação do DJ de afrohouse português com origens cabo-verdianas Danni Gato, a mulher de Cláudio, Filipa, e as irmãs Joana, Francisca e Beatriz, confirmam que "a experiência é única" e assumem a ambição de "ver todos os DJs portugueses". Num outro palco, a assistir à atuação do também português DJ Diego Miranda, de música eletrónica de dança, estão o casal Ana e Paulo, que vem pela terceira vez ao Tomorrowland, depois de uma estreia em 2024, quando o filho mais novo lhes ofereceu os bilhetes para celebrar, respetivamente, o 50.o e 52.o aniversário. O investimento é significativo: aos bilhetes do festival juntam-se viagens, alojamento, alimentação e, em muitos casos, pacotes de viagem organizados, podendo a experiência representar milhares de euros por família. No caso de Ana, são cerca de 3.500 euros para ela, o filho e o marido. Ainda assim, para quem regressa ano após ano, o custo é encarado como o preço a pagar para viver a fantasia, afinca Ana: "Foi um sonho que demorou 13 anos e conseguimos". Ana conta que o melhor do festival é, além da música, "o ambiente, a organização e a estrutura", mas admite que a comunidade portuguesa de partilha - espalhada por grupos em redes sociais, aplicações de mensagem e encontros - "melhora a experiência". Para as famílias portuguesas presentes, a crescente presença nacional transforma a experiência numa espécie de encontro alargado, entre familiares que viajaram juntos e artistas que representam diferentes gerações e estilos da música eletrónica portuguesa. De Lousada veio o casal Teresa e Rui, que só este ano conseguiu ter possibilidades de concretizar este "sonho eletrónico", segundo contam à Lusa. Vieram influenciados pela vizinha Libânia, que está este ano no Tomorrowland pela quarta vez e demonstra a sua paixão pelo festival em várias tatuagens no corpo, com nomes de edições anteriores e da máxima "Live, Love, Unite" ("Viver, Amar, Unir"). "É o meu maior sonho", diz Libânia à Lusa. Ao seu lado, está Gonçalo, de Lisboa, que já vai na oitava edição do evento, e para quem "isto é lindo". Já André veio de São Vicente, na Madeira, e está pela segunda vez no Tomorrowland. "Vim com um grupo internacional que conheci no ano passado. É a melhor experiência de sempre", revela o jovem. André carrega uma bandeira de Portugal e outra da Madeira e nelas junta já centenas de mensagens de pessoas que foi conhecendo no festival. "Tenho feito amigos para a vida", assegura o madeirense, que planeia continuar a vir ao festival. A dimensão internacional do Tomorrowland ajuda a explicar a atração: em 2026, junta cerca de 400 mil pessoas ao longo de dois fins de semana, com participantes de mais de 200 nacionalidades, que anseiam por ver os mais de 850 artistas distribuídos por 16 palcos. Entre os festivaleiros, a presença portuguesa tem vindo a ganhar expressão, não apenas através do público, mas também dos artistas que integram o alinhamento: do house e afro house de Danni Gato ao melodic techno de Diego Miranda e Pette, passando pelo techno de BIIA e ØTTA, pela eletrónica melódica de Xinobi e pelo espetáculo híbrido dos MXGPU, a presença portuguesa atravessou diferentes palcos e tendências da música eletrónica. Criado em 2005 pelos irmãos belgas Manu e Michiel Beers, o Tomorrowland tornou-se numa referência mundial da música eletrónica. Depois da interrupção provocada pela pandemia em 2020 e 2021, o festival espera cerca de 200 mil visitantes por fim de semana, provenientes de mais de 200 países. Os bilhetes para a edição deste ano esgotaram há vários meses. Leia Também: Professor e DJ português Pette estreia-se no Tomorrowland
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