Trauma, milagre e onda de 100 pés: a rotina extrema de big rider brasileiro

Trauma, milagre e paredes de água: a rotina de surfista brasileiro de ondas gigantes
Trauma, milagre e onda de 100 pés: a rotina extrema de big rider brasileiro Resumo Uma das principais referências brasileiras nas ondas gigantes, Will Santana não só costuma associar sua trajetória a Nazaré, em Portugal, mas também viu o destino fazer assim. Porém, ao contrário do que muita gente imagina, ele diz que o pico não transforma ninguém sozinho. Em entrevista ao UOL, Will relembrou como chegou ao cenário das ondas gigantes, contou detalhes da maior onda da carreira, recordou o pior momento por lá, com um caldo que rodou o mundo, e falou sobre o próximo objetivo: pegar um swell gigante em Teahupo'o, no Taiti. Divisor de águas Apesar de considerar Nazaré um divisor de águas na carreira, Will faz questão de desfazer uma ideia comum entre quem acompanha o surfe de ondas gigantes. Não é só chegar lá, surfar e ganhar fama. Muita gente acha que vai pegar uma onda lá e vai mudar de vida. Cara, não é assim. Tem muita gente que está lá há cinco, dez anos. Depende muito da maneira que você trabalha, da maneira que você chega, como você se arrisca para ter destaque. Will Santana ao UOL Segundo ele, a diferença foi a forma como encarou a oportunidade. Quando eu cheguei em Nazaré, apostei todas as fichas da minha vida. Era tudo ou nada. Falei: 'Ou vai ou vai, eu não tenho outra opção'. Então, me arrisquei muito. Quando eu não pegava uma bomba, sofria um acidente que saía na mídia. Minha carreira foi assim: era uma bomba, um acidente, uma bomba, um acidente. 'Estreia' no México Antes de se tornar um dos nomes frequentes em Nazaré, Will teve o primeiro contato com ondas gigantes em 2020, durante uma viagem para Puerto Escondido, no México. A experiência acabou mudando os rumos da carreira e, naquele mesmo ano, ele também faria sua primeira temporada em Nazaré. Ele conta que já estava de malas prontas para voltar ao Brasil quando decidiu mudar os planos por causa da previsão de um novo swell. Já com todas as pranchas quebradas e sem dinheiro para comprar outra, recebeu ajuda de Lucas Chumbo, hoje considerado o maior surfista de ondas gigantes do mundo. O Chumbo me emprestou uma prancha. A gente ficou quase uma hora e meia no mar, ninguém pegava onda. Era só fechadeira gigante. Todo mundo com medo. Will Santana Foi então que decidiu confiar no próprio sonho. "Baixei a cabeça e falei: 'Deus, se for isso mesmo, se for isso mesmo que sempre sonhei pra minha vida, que mande uma onda, porque estou morrendo de medo'. Quando levantei a cabeça, veio uma. Não enxerguei ninguém, só virei e fui." A onda mudou sua trajetória. "Fiz um air drop gigante e completei o drop. Todo mundo veio falar comigo depois, ver se eu estava bem, acharam que eu tivesse morrido", lembrou. Várias pessoas filmaram e publicaram a onda. Quando cheguei no Brasil, todo mundo já estava me chamando de big rider. Will Santana Maior onda da carreira Cinco anos depois daquele primeiro contato com ondas gigantes, Will viveu o maior momento da carreira. Em janeiro de 2025, durante a passagem da Tempestade Hermínia por Portugal, o brasileiro encarou um dos maiores mares dos últimos anos em Nazaré e surfou aquela que considera a maior onda de sua vida. Mesmo com chuva forte, vento e condições extremas na Praia do Norte, decidiu entrar na água. Uma coisa é você surfar 30 pés, 40 pés. Outra coisa é estar num swell de 100 pés. Isso é descomunal. Por mais que eu tente, é difícil explicar aqui com palavras. Segundo ele, a velocidade da prancha foi algo que nunca havia sentido. "A prancha pegou uma velocidade que eu nunca tinha sentido na minha vida. Foi algo realmente muito assustador. Ela vibrava muito e eu sabia que não poderia cair ali, poderia ser fatal." Trauma em Nazaré Poucas semanas depois da sessão histórica, Will voltou a viver momentos de tensão em Nazaré. Em fevereiro de 2025, durante as gravações da competição Gigantes de Nazaré, o brasileiro sofreu um dos acidentes mais impressionantes da temporada ao ser atingido por uma onda gigante ao lado do piloto de resgate Daniel Rangel. Depois de conseguir voltar à superfície, os dois ainda precisaram enfrentar uma segunda onda antes que o resgate fosse concluído por Lucas Chumbo e Lucas Fink. Mesmo hoje, Will admite que a experiência ainda mexe com ele. Gerou um trauma? Sim, óbvio. Não tem como. Will Santana Ele lembra que escapou por muito pouco de um acidente ainda mais grave. "O jet passou pela minha cabeça, pelo meu ombro e não tocou em mim. Aquilo foi um milagre. Eu ter saído vivo daquela situação foi realmente um milagre." Mesmo assim, prefere guardar o sentimento de gratidão. Quando eu paro para pensar com calma, me emociono. Me dá uma sensação de gratidão por não ter acontecido nada comigo e eu poder continuar fazendo o que eu amo. Olho em Teahupo'o Depois de conquistar espaço em Nazaré, Will já pensa no próximo grande desafio da carreira. O destino é Teahupo'o, no Taiti, uma das ondas mais pesadas do mundo e que, por acaso, é o palco da próxima etapa do Circuito Mundial da WSL. Segundo ele, o projeto exige planejamento, principalmente pelo alto custo da viagem e pela necessidade de encontrar as condições ideais. Teahupo'o dá trabalho. É uma viagem muito cara. Tem que acertar o swell perfeito, bem grande mesmo, porque, se chegar lá com muita gente remando, quem vai pegar as bombas são os locais. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.
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