Trump e Netanyahu tiveram reunião “positiva e produtiva”, mas não muito

Na agenda estava a guerra no Médio Oriente, de que Israel se mantém retirado desde que os Estados Unidos impuseram um cessar-fogo. Com o reinício do conflito, há duas semanas, Israel não voltou a atacar o Irão. Donald Trump também reuniu com o presidente Volodymyr Zelensky.
Trump e Netanyahu tiveram reunião “positiva e produtiva”, mas não muito Na agenda estava a guerra no Médio Oriente, de que Israel se mantém retirado desde que os Estados Unidos impuseram um cessar-fogo. Com o reinício do conflito, há duas semanas, Israel não voltou a atacar o Irão. Donald Trump também reuniu com o presidente Volodymyr Zelensky. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, encontrou-se esta terça-feira, 28 de julho, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, e segundo a porta-voz da presidência, Karoline Leavitt, o encontro foi considerado “produtivo e positivo”. Mas, antes dessa declaração, a imprensa norte-americana registou que Trump demonstrou irritação com Netanyahu por ter considerado que o primeiro-ministro israelita divulgou detalhes sobre os temas que iriam ser discutidos entre ambos. É mais um sinal de desgaste na relação entre os dois líderes, referem aquelas fontes. Questionado sobre reportagens que afirmavam que Netanyahu queria falar sobre a Montanha Pickaxe, que supostamente abriga um dos principais complexos nucleares do Irão, Trump respondeu: “Eu não preciso que Bibi me diga isso. Bibi está a dizer-me isso porque quer que eu continue envolvido”. Os encontros acontecem num momento de divergências entre Washington e Telavive sobre o rumo do conflito no Médio Oriente, agora de algum modo ligado à guerra entre a Ucrânia e a Rússia – por culpa, dizem os iranianos, de Israel. Segundo a Casa Branca, Trump e Netanyahu discutiram a guerra na Faixa de Gaza, a presença militar israelita em Gaza, no Líbano e na Síria e a situação regional após o conflito com o Irão. Os pormenores ficaram na intimidade do encontro, que não foi aberto aos órgãos de informação. A visita de Netanyahu ocorre no meio de sinais de desgaste na relação entre os dois líderes. Desde que Trump voltou à Casa Branca, ambos já se encontraram seis vezes e mantiveram uma aliança próxima, mas, nos últimos meses, surgiram divergências sobre a condução da guerra contra o Irão e sobre a estratégia norte-americana para reduzir a tensão no Médio Oriente. O principal ponto de atrito é a pressão da administração norte-americano para que Israel reduza a sua presença militar nas regiões circundantes – com o Líbano e a Síria. Netanyahu afirma que não pretende retirar as tropas enquanto o Hamas não estiver completamente desarmado. A intenção de mudar o regime de Teerão é também, para Netanyahu, o fim último da guerra; dessa forma, não apoiará qualquer retirada antes que isso suceda. Depois do encontro, o líder israelita dirigiu-se juntamente com Trump ao funeral do senador republicano Lindsey Graham, de origiem judaica. O congressista morreu no último dia 12. Encontro com Zelensky Antes, Donald Trump reuniu, também à porta fechada, com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Da agenda constavam novas propostas para um cessar-fogo entre Ucrânia e Rússia. Segundo a imprensa norte-americana, Zelensky procurou obter o acordo de Trump para a compra e atribuição de licenças de produção local de mísseis Patriot, considerados vitais para travar os bombardeamentos russos. Ambos os líderes debateram ideias para relançar o processo de paz e a comunicação futura entre as respetivas equipas. Depois do encontro Zelensky seguiu para o Capitólio para reunir com um grupo bipartidário de senadores, com os quais debateu um projeto-lei para aplicar tarifas e sanções severas aos países que compram petróleo e gás à Rússia. Líbano discutido em Roma Entretanto, autoridades israelitas e libanesas vão reunir novamente, desta vez em Roma, na próxima semana, para dar continuidade aos trabalhos de implementação de um acordo mediado pelos Estados Unidos, cujo objetivo final é alcançar uma paz abrangente entre os dois países. Uma fonte do Departamento de Estado dos EUA afirmou que as negociações lideradas pelos Estados Unidos ocorrerão em Roma, de 4 a 6 de agosto. Esta nova ronda de negociações acontece após o lançamento das primeiras ‘zonas piloto’ no sul do Líbano, onde os militares israelitas afirmaram ter transferido o controlo para as forças armadas libanesas na semana passada. A iniciativa surgiu depois do encontro entre Donald Trump e o presidente libanês, Josef Aoun, na semana passada. A mesma fonte adiantou que as conversas técnicas “vão concentrar-se em promover a implementação completa do acordo-quadro”, que foi anunciado no final de junho. “Isso inclui expandir o processo da zona piloto, resolver todas as questões fronteiriças pendentes e trabalhar num acordo abrangente de paz e segurança”. “A experiência das zonas iniciais ajudará a aperfeiçoar a implementação da zona piloto para que possa ser expandida de forma gradual”. Preço do brent em contenção Ao final desta terça-feira, o preço do petróleo brent estava a cotar um pouco acima dos 83,3 dólares, bem longe do pico de 100 dólares atingido na semana passada. Os analistas dizem que há bons motivos para crer que tanto o Irão como os Estados Unidos estão empenhados em diminuir a tensão no Estreito de Ormuz. Mas, no Mar Vermelho, a situação permanece tensa. Perante a ameaça contínua aos portos da Arábia Saudita, os superpetroleiros vazios começaram esta terça-feira a mudar de rota em direção ao porto egípcio de Sidi Kerir, no Mar Mediterrâneo, para recolher o crude saudita transportado via oleoduto. A publicação Lloyd’s List, especialista na matéria, confirmou que os maiores operadores estatais de navios-tanque da China decidiram retirar os seus superpetroleiros das rotas do Mar Vermelho, priorizando a segurança em detrimento do acesso privilegiado que se julgava que Pequim teria junto do grupo iemenita. Dados atualizados pela Clarksons Research indicam que o número de embarcações que cruzam a entrada do Mar Vermelho diminuiu cerca de 50% em comparação com a média do trimestre anterior, confirmando o impacto severo do cerco dos houthis. O ministro dos Negócios Estrangeiros do governo iemenita (reconhecido internacionalmente) alertou a comunidade global para que os houthis pretendem replicar no Estreito de Bab el-Mandeb o modelo de controlo total que o Irão exerce no Estreito de Ormuz.
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