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Viagens em grupo só para mulheres ajudam a vencer o medo e viram tendência

Viagens em grupo só para mulheres ajudam a vencer o medo e viram tendência
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Viagens em grupo só para mulheres ajudam a vencer o medo e viram tendência

Resumo Por muito tempo, viajar sozinha foi, para muitas mulheres, um desejo acompanhado de duas barreiras. De um lado, a desconfiança cultural: enquanto homens eram incentivados a explorar o mundo, mulheres precisavam justificar por que queriam partir sozinhas. De outro, um obstáculo ainda mais concreto: o receio com a própria segurança. Entre julgamentos e riscos reais, fazer as malas envolvia mais do que planejamento, exigia coragem. Essa combinação de julgamentos e preocupações foi, durante décadas, a bagagem mais pesada que elas carregaram antes mesmo de fazer as malas. Hoje, esse cenário começa a mudar. Mas vencer o tabu não significa que o medo tenha desaparecido. É justamente por isso que cresce um fenômeno no turismo: os grupos de viagem formados exclusivamente por mulheres Mais do que uma forma de conhecer pessoas, esses grupos têm servido como porta de entrada para quem ainda não se sente confortável para viajar completamente sozinha. Para muitas mulheres, a experiência coletiva é o caminho para ganhar confiança antes de embarcar em aventuras independentes. Os números mostram que esse movimento acompanha uma mudança mais ampla. Nos últimos anos, as buscas por "viagens solo para mulheres" cresceram 30%, segundo pesquisa do Ministério do Turismo. Além disso, quatro em cada dez brasileiras já viajaram sozinhas, de acordo com o recém-lançado "Guia para Mulheres que Viajam Sozinhas", elaborado pela pasta em parceria com a Unesco. Por trás das estatísticas estão histórias de mulheres que descobriram, aos poucos, que viajar sem companhia conhecida podia ser mais possível — e mais seguro — do que imaginavam. Da experiência ao negócio No caso de Brienny Giarola, tudo começou com a vontade de sair da rotina e a dificuldade de conciliar a agenda com amigos e familiares para viajar. Um convite para passar uma semana em Ilhabela acabou mudando seus planos. A viagem se estendeu por um mês e deu início a uma sequência de deslocamentos que durou três anos. A experiência também transformou sua trajetória profissional. Hoje, Brienny organiza viagens em grupo para mulheres pela Solo & Co. e acompanha de perto esse movimento que vem crescendo nos últimos anos. Na prática, observa-se que muitas mulheres querem viajar, mas ainda procuram nos grupos a confiança para dar esse passo. Conexões que transformam Foi exatamente esse tipo de experiência que atraiu Yanka Lunardi, de 29 anos, que trabalha no mercado financeiro. Apesar da vontade de viajar, ela adiava os planos porque não conseguia conciliar a agenda com amigas e familiares. A ideia de embarcar sozinha também causava insegurança. Quando decidiu que não queria mais esperar, optou por uma viagem internacional em grupo. Eu sempre fui medrosa, vamos dizer assim. Eu não gostava de viajar sozinha, eu tinha esse medo Yanka Lunardi Na primeira experiência, Yanka era a integrante mais jovem de um grupo composto majoritariamente por mulheres mais velhas. O destino acabou dividindo espaço com as conversas e aprendizados ao longo da viagem. "Elas me ensinaram muito. Peguei várias dicas. Elas já tinham viajado o mundo", lembra. O autoconhecimento como parte da jornada Quem embarca em uma viagem em grupo costuma voltar com mais do que fotos e lembranças do destino. Entre mulheres que, até poucos dias antes, eram desconhecidas, surgem conversas, amizades e reflexões que acabam se tornando parte da experiência. Na Solo & Co., esse processo começa antes mesmo de a viagem ganhar ritmo. Na primeira roda de apresentação, Brienny faz um pedido incomum: cada participante deve se apresentar sem falar da profissão ou dos estudos. A proposta é simples, mas costuma provocar silêncio. "Nessa hora todo mundo trava", conta. Com Yanka Lunardi não foi diferente. Ao longo das viagens, ela diz ter descoberto mais sobre si mesma do que imaginava. "Eu aprendi também algo no sentido de ser mais incisiva nas coisas que eu gosto", afirma. Ela também se surpreendeu com a intensidade das relações construídas durante o percurso. A viagem em si com mulheres é muito incrível. Ela te abraça, te conforta. Hoje, levo mulheres que conheci nessas viagens para a vida Yanka Lunardi Foi justamente esse potencial de transformação que Catia Frias enxergou ao criar o projeto Elas Viajam, dedicado exclusivamente a grupos femininos. A ideia surgiu depois de ouvir repetidamente uma mesma frase de mulheres interessadas em conhecer o mundo: "Eu gostaria muito de viajar, mas nunca tive com quem ir." Para Catia, o desejo de viajar quase nunca é o principal obstáculo. O que ainda impede muitas mulheres de embarcar são fatores como a insegurança, a dificuldade de planejar uma viagem internacional e a barreira do idioma. Nesse contexto, os grupos funcionam como uma ponte: permitem que a mulher viaje por conta própria, mas com uma rede de apoio. A mulher não quer simplesmente viajar. A viagem, para ela, é um investimento pessoal Catia Frias As camadas extras de cuidado na bagagem feminina Os números ajudam a explicar por que tantas mulheres enxergam nos grupos o pontapé inicial. Segundo o estudo "Mulheres que Viajam Sozinhas", mais de 60% das brasileiras já desistiram de uma viagem por questões de segurança. Proporção semelhante afirma já ter passado por situações de risco ou desconforto durante uma viagem. Na prática, isso significa que o planejamento feminino costuma incluir preocupações que muitos homens sequer precisam considerar, como o horário de chegada ao destino, a localização da hospedagem e os deslocamentos à noite. Andrea Miramontes, criadora de conteúdo digital que viaja sozinha há mais de 30 anos, conhece bem essa rotina. "Eu adiciono todas as camadas de cuidado", resume. Isso inclui evitar chegar à noite a cidades desconhecidas, escolher hospedagens em regiões centrais e seguir recomendações locais sobre segurança. Um homem não precisaria considerar tudo isso. Ele anda sozinho à noite com mais segurança, e a gente não Andrea Miramontes Mesmo acostumada a viajar sozinha, Andrea decidiu recentemente embarcar em uma viagem à Tailândia com um grupo formado exclusivamente por mulheres. As participantes, de diferentes estados do Brasil, só se conheceram no aeroporto. O grupo reunia viajantes de 30 a 70 anos. Para Andrea, a experiência mostrou que viajar em grupo não significa abrir mão da autonomia, mas contar com um suporte adicional em um destino distante. Estar acompanhada por outras mulheres tornou a longa viagem, o fuso horário e os desafios do roteiro menos intimidantes. Para quem ainda não deu o primeiro passo, Andrea acredita que os grupos podem ajudar a vencer a insegurança inicial. Você vai sozinha, mas não está sozinha Andrea Miramontes Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.

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