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WOODZ em SP: o reencontro do Luizinho com o Brasil em um show eletrizante

WOODZ em SP: o reencontro do Luizinho com o Brasil em um show eletrizante
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WOODZ em SP: o reencontro do Luizinho com o Brasil em um show eletrizante

Resumo O show do WOODZ, ou Luizinho, como o conhecemos no Brasil, não é qualquer evento para mim. Confesso que é difícil falar sobre ele com algum distanciamento, e nem vou tentar, porque não vejo razão: ser fã é parte inerente de quem eu sou, e há sete anos sou MOODZ. Foi a segunda vez que vi Cho Seungyoun ao vivo, no domingo (19), no Komplexo Tempo, em São Paulo. A primeira, em 2023, foi muito boa, mas a sensação agora foi completamente diferente. Ele está em outro lugar na carreira. Depois do sucesso absurdo de "Drowning" (quando visitei a Coreia em março de 2025, a música tocava por todos os cantos de Seul e Busan), Seungyoun virou um nome gigante por lá, lançou um disco de rock e trocou as coreografias por instrumentos e produções mais pesadas. O que ele traz pro K-pop é algo que vemos pouco: uma banda ao vivo que toca muito bem e ele segurando o show inteiro no gogó, alcançando notas dificílimas sem aparentar esforço. E ele tem uma história linda com o Brasil. Em meio aos gritos de "VAI CORINTHIANS" (ele jogou na base do time quando morou em São Paulo, na adolescência, época em que ganhou o apelido Luizy, ou Luizinho), dava pra medir o tamanho do reencontro. De lá pra cá, ele debutou no UNIQ, adotou o nome WOODZ em 2018, redebutou no X1 e finalmente se encontrou como solista. Se no soundcheck (que o Universo K-pop conferiu com exclusividade) a gente o vê de franjinha e roupas confortáveis, cantando músicas que não vão pro show principal (destaque para "NOID", "Deep Deep Sleep" e a minha favorita pessoal, "Accident"), no show ele reaparece de jaqueta de couro, cabelo pra trás e óculos escuros para um set recheado de hits. Impossível eleger a melhor música: depende do gosto, da era preferida, do humor do dia. Ele claramente ama a expressão "todo mundo", que repete várias vezes, e ainda encaixa um "Ai Se Eu Te Pego" de homenagem que destoa completamente do set, mas faz a plateia inteira rir e entrar na dança do hit mundial de Michel Teló. Figurino, aliás, ele não troca: apenas tira o casaco e faz todo mundo gritar o já famoso (e esperado) "lindo, tesão, bonito e gostosão", que ele entende, sorri e agradece com um dos muitos "obrigado" ditos ao longo da noite. "Archive 1", lançado em março deste ano, dá nome à turnê e tem todas as faixas escritas (e muitas arranjadas), por WOODZ ao lado de NATHAN, seu parceiro musical de anos. A performance é toda centrada nele como músico: instrumentos, luzes coloridas e VCRs bem diferentes dos que costumamos ver no K-pop, aqueles que parecem publicidade de grande maison. Seungyoun foi claramente migrando da imagem de idol para a de frontman de banda de rock. Mais DAY6 e The Rose, menos sobrevivente de survival show. O Komplexo Tempo ajudou a experiência: espaço arejado, gigante, com sofás e vários banheiros, o que facilita a vida de um público nitidamente mais velho que a média dos shows de grupos de K-pop. O merch também merece destaque por ser bem mais acessível que a média: em vez de R$ 900 por um moletom, saí com o meu por R$ 280 (barato não é, mas para show está bem ok). Seja como WOODZ, Seungyoun ou Luizinho, o show é a prova de que a resiliência faz todo sentido quando se tem talento, vontade e música boa para entregar. Já se tornou um dos shows mais marcantes que fui (e fui em muitos). Como é bom ver um artista evoluir, fazer suas próprias músicas e entregar um show tão especial. G-DRAGON, rapper discursou na Cerimônia de Abertura do Comitê do Patrimônio Mundial da UNESCO A economia criativa e afetiva que nasce dentro de um fandom No último sábado (18), fui a um encontro de fãs e é sempre muito interessante e divertido participar desses eventos offline entre comunidades. Esse foi o meu segundo encontro do fandom zerose (fãs do ZB1). O primeiro aconteceu quando eles ainda eram nove (tópico sensível), hoje os nove estão divididos em dois grupos, ZB1 e AND2BLE, e por isso o evento foi nomeado Arraial ZB2B. Se você nunca foi a um encontro de fãs, te digo que o funcionamento é mais organizado do que parece num café no Bom Retiro, onde a cultura coreana historicamente mora em São Paulo. Pagamos um valor de consumo, escolhemos entre dois turnos, e compramos um fan kit que vem com photocards, fanmades, bottons e outras coisas fofas que fãs adoram. Como se tratava de um arraial, teve até correio anônimo e bingo, que eu surpreendentemente ganhei e leveu um disco pra casa. Saí de lá com um álbum do AND2BLE e muitos photocards novos para minha coleção. Tem uma coisa que eu digo há anos e que fica evidente quando entramos num espaço desses: o merchandising que os fãs produzem costuma ser muitíssimo mais interessante que o oficial. O oficial nasce de um briefing de agência, levando em consideração a política de imagem e metas de venda. O fanmade responde a uma pessoa que ficou obcecada com um detalhe e resolveu fabricar aquele detalhe. Numa das mesinhas de sábado tinha uma linha de body splash com cheiros criados a partir de músicas dos dois grupos, e eu comprei vários sem pestanejar. Ali no meio tem gente descobrindo que sabe desenhar, que sabe formular cosméticos e que sabe vender. Foi exatamente isso que me fez virar pesquisadora de cultura de fãs lá em 2009. Não a música em si, que eu já amava por conta própria. Foi ver que o afeto por um grupo produzia uma economia inteira, com trabalho, aprendizado e circulação de dinheiro, tudo movido por pessoas consideradas histéricas e "sem mais o que fazer". Mas o melhor da manhã não foi o fan kit, nem o sorteio. Eu fui ao evento porque uma amiga que eu conheci por causa do k-pop me chamou. Chamei outra amiga que eu também conheci por causa de k-pop. As duas não se conheciam. Lá conheci pessoalmente a amiga da minha amiga. Depois do evento almoçamos juntas, andamos pelo bairro e conversamos sobre diversos assuntos. É isso que os encontros offline fazem e que nenhuma métrica de engajamento captura. A gente vai pelo grupo e sai com novas amizades. Dicas de Dramas "Assustadoramente apaixonados" Confesso que eu comprei a premissa antes do trailer acabar: Park Eun-bin é uma herdeira chaebol que enxerga fantasma. Yang Se-jong é um promotor viciado em caso arquivado. Em "Assustadoramente Apaixonados", um toque dela passa o dom pra ele, e a dupla passa a atrair assombração e assuntos mal resolvidos. Romance, terror e procedural no mesmo pacote, com Ong Seong-wu fechando o triângulo. É uma adaptação do filme de 2011 e tem tudo pra ser um hit. 'Spooky in Love', 2026 | Criação - tvN | Elenco - Park Eun-bin e Yang Se-jeong | Onde - Netflix | País - Coreia do Sul "Kenzo Kitakata: SUIKODEN" Adaptação do clássico chinês "Margem d'Água' o drama aborda um império corrompido com o alto escalão corrupto e um oficial de classe inferior que começa a reunir pessoas para se rebelar contra o sistema. O drama levou oito meses para ser filmado e já tem segunda temporada confirmada. Oda faz o protagonista Song Jiang, personagem principal que dá início a toda revolução que culmina nos 108 "heróis" de Liangshan. 'Suikoden', 2026 | Criação - WOWOW | Elenco - Oda Yuji e Kamenashi Kazuya | Onde - VIKI | País - Japão "Bittersweet love" O jovem Xiao Fan acha que venceu na vida ao casar com uma mulher de família rica, mas logo descobre que a união é uma farsa. O plot twist? Ele esbarra no cunhado, o impecável e sofisticado Bei Lu Qing. Tentando ser amigo dele, o destino tem outras ideias para a dupla. Entre tensões e aquele angst que a gente ama, Xiao Fan acaba caindo na teia do cunhado como... amante! Ele foi longe demais? Só saberemos dando play no BL. A China esse ano tá especial com tantas produções. 'Bittersweet love', 2026 | Criação - VIKI | Elenco - Zhou Ning Jia e Guan Yue | Onde - VIKI | País - China GERAÇÕES K-POP Larga o telefone: CORTIS causa estranheza com show diferente pro k-pop O CORTIS abriu a primeira turnê mundial em 18 e 19 de julho, no Inspire Arena, em Incheon, com 14 shows em nove cidades até setembro, menos de um ano depois da estreia em agosto de 2025. O nome, PUT YOUR PHONE DOWN, é literal: o Martin explicou que a proposta é viver o presente e olhar para o palco em vez da própria imaginação. O que ninguém tinha calculado é o que acontece quando um grupo com doze músicas lançadas no catálogo inteiro monta uma turnê de arena. A resposta foi tocar as doze e repetir algumas. A conta não fechou para uma parte do público coreano. Com ingressos a 145 mil wons, o show durou cerca de uma hora e 40 minutos, sem palcos de cover, sem faixas inéditas e sem troca de figurino. A comparação que dominou as comunidades foi com o fanmeeting. Grupos rookie de discografia curta costumam preencher setlist com cover, dance break estendido, versão acústica. O CORTIS não fez nada disso, e repetir faixa não é anomalia em show de rap: Travis Scott construiu uma carreira inteira rodando o mesmo drop até a plateia perder a compostura, e o CORTIS carrega essa influência de forma tão explícita que parte da internet acusa eles de pastiche. E foi na plateia que a coisa ficou realmente interessante. Os vídeos que viralizaram lá fora mostravam um bloco de homens pulando e se esbarrando na pista — uma imagem celebrada internacionalmente como prova de que o grupo tinha furado a bolha e atraído ouvinte casual masculino. Dias depois, frequentadores coreanos afirmaram que aqueles homens eram dançarinos posicionados na área S3 como parte da produção, uns trinta deles, que saíram da pista assim que "TNT" acabou. A BIGHIT não confirmou nem negou. Aí que está o leque que interessa. O K-pop sempre coreografou a própria plateia, e a gente naturalizou isso: fanchant tem partitura, o oceano de lightstick é operado por bluetooth, a arquibancada inteira é uma performance ensaiada que ninguém chama de encenação porque virou paisagem. O que a produção do CORTIS fez foi trocar a ficção do oceano ordenado pela ficção da roda de pogo espontânea, e a segunda incomoda mais porque o valor de mercado dela depende justamente de parecer não produzida. Um grupo vendido como "diferente" precisa de um público que performe a diferença, e se o público real ainda não performa (ou performa de outro jeito, com bastão na mão e voz afinada no fanchant), a empresa contrata quem performe. Isso diz muito sobre quem o CORTIS quer na pista e sobre quem já está lá bancando a turnê. Mesmo assim, o capítulo segue sendo escrito. Os dois shows de abertura esgotaram antes da estreia. A turnê passa por América do Norte, Seul e Kanagawa, e ainda tem Lollapalooza Chicago e GP de Singapura no calendário, tudo isso com o caçula Keonho no palco sem coreografia por causa de fraturas nos dois mindinhos. O estranhamento que o CORTIS provoca diz menos sobre o grupo e mais sobre o quanto o K-pop naturalizou um formato de show como se fosse uma lei. Playlist Com tanto artista fazendo música "inspirada no Brasil" e cantando em espanhol, fizemos uma playlist com referências realmente daqui! Ouça e siga a nossa playlist de K-pop no TOCA! PROGRAME-SE Segunda - U-KNOW (Yunho do TVXQ) - Lança 'Time's Tickin' (single digital) Terça - WONHO - Lança 'CORE' (EP) - fromis_9 - Lança 'Glow ME' (segundo álbum) - 8TURN - Lança "8.X" (terceiro álbum single) Quarta - LUN8 - Lança 'Off the Grid' (quarto miniálbum) - HYOLYN - Lança 'OriginaLyn' (quarto miniálbum) - OURBIRTHDAY - Lança "HUNGRY (Side A) (primeiro single digital) - Picheolin (Dino do SEVENTEEN) - Lança "Love Sick" (pré-single) Quinta - J.Y.Park - Lança 'WET' (álbum single) Sexta - aespa - Lança 'KISS N TELL' (primeiro miniálbum japonês) - ARTMS - Lança 'Born Stunner' (pré-single) Sábado - ALICE SYNDROME - Lança 'DEEP DIVE' (primeiro single sigital) Domingo - ILLIT - Lança 'I Got Your Back' (segundo single japonês) Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.

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